Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 29/07/2019
É possível afirmar que a Primeira Revolução Industrial, ocorrida na década de 1750, foi um divisor de águas na história da humanidade. O porquê disto está na mudança da configuração do consumo de mercadorias, o qual deixou de ser apenas pela necessidade, mas também pela satisfação pessoal, caracterizando o início de uma sociedade consumista. Ao trazer este contexto ao Brasil, destaca-se que, seja pela persuasão midiática, seja pela relevância do status social, o consumo desnecessário ganha proporções preocupantes devido às graves consequências ambientais.
Deve-se ressaltar, de início, o livro “A Sociedade do Espetáculo”, de Guy Debord, cuja temática é mostrar como as pessoas vivem e agem baseado nas imagens às quais elas são expostas, principalmente pela mídia. Por meio dos principais canais de comunicação, como a televisão e as redes sociais, espectadores são bombardeados com imagens de produtos ou estilos de vida os quais são retratados como fontes de felicidade e de bem estar social. No contexto brasileiro, exemplifica-se este cenário com o setor automobilístico, pois, desde o início da popularização do carro na década de 1950, ele tem sido um símbolo de status. As campanhas publicitárias são direcionadas ao ego do ser humano ao mostrar a força, a beleza e a velocidade de um automóvel e insinuar que possuí-lo indicaria uma posição mais elevada na hierarquia social, o que traria, consequentemente, satisfação pessoal.
Em decorrência disso, o meio ambiente tem sido muito prejudicado. Pode-se citar, primeiramente, a altíssima acumulação de resíduos sólidos, como embalagens plásticas e de isopor. Por não serem biodegradáveis, eles são responsáveis, por exemplo, pela poluição dos corpos d’água e pelo entupimento de canais de drenagem hídrica, causando, respectivamente, o desequilíbrio do ecossistema local e inundações urbanas. Além disso, bens duráveis movidos à combustão interna, como os carros, são responsáveis pela emissão elevada de gases estufa, tal qual o CO2, contribuindo para a elevação de temperaturas locais e globais. No primeiro caso, pode ocorrer a formação das ilhas de calor nas grandes cidades. Este fenômeno causa desconforto físico aos moradores, assim como acarreta o aumento de gastos energéticos com climatização.
Portanto, ações governamentais são cabíveis. O Ministério da Educação, em parceria com governos locais, deve elaborar uma série de eventos escolares ao longo do ano letivo voltados à convivência sustentável com o meio ambiente. Por exemplo, feiras montadas pelos professores junto aos alunos podem mostrar as principais ações antrópicas do dia a dia, cujas consequências são prejudiciais ao meio, e apresentar atitudes que possam contribuir para a solução do problema, como o incentivo à reutilização de recipientes e à reciclagem de materiais.