Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 10/09/2019
À luz da Guerra Fria, os Estados Unidos explanavam o seu rico estilo de vida para o mundo em forma de uma forte propaganda ideológica. Durante esse período, o “American Way of Life” caracterizava uma clara manipulação acerca dos hábitos de consumo dos indivíduos, que só encontrariam o prazer em forma de títulos e posses. Dentro do contexto brasileiro, é fato que a herança desse período ainda tem reflexos na atualidade: a intensa propaganda hedonista e o endividamento da população representam uma controvérsia a estabilidade financeira dos consumidores, contidos em um ciclo vicioso.
Inicialmente, é importante destacar a relevância que a publicidade assume nesse processo. De acordo com Adorno e Horkheimer, a indústria cultural surgiu no século XIX como forma de padronização do pensamento coletivo por intermédio dos meios de comunicação. Nesse sentido, a proposta publicitária adquiriu uma forte base para a alienação e à manipulação, assimilando recursos que seduzem o consumidor a obter cada vez mais produtos supérfluos. Assim, fica evidente a influência que a mídia representa nos padrões descontrolados de consumo dos brasileiros, que os tornam compulsórios e acríticos.
Em razão disso, o endividamento da população tem sido uma clara consequência desse panorama. Segundo o sociólogo Emile Durkhiem, o processo de capitalização das sociedades consolidaria o termo “sociedade orgânica”, caracterizada pela forte dependência do sistema e pela fraca mobilização social. Nessa perspectiva, observa-se esse fenômeno na grande subordinação dos consumidores às linhas de créditos dos bancos - que agem instintivamente, sem alertas da instituição credora. Dessa forma, a maioria desses creditados tornam-se dependentes das taxas de juros e, consequentemente, invalidados pela taxação de mal pagador. Infere-se, então, que a compra compulsória tem se tornado um dilema aos indivíduos que não detêm o discernimento para o uso do crédito.
Observa-se, portanto, a necessidade de medidas que controlem os maus hábitos de consumo do Brasil. Nesse contexto, para que a população torne-se consciente acerca de suas ações, cabe ao Ministério da Educação, por meio de repasses federais, criar campanhas que destaquem a função do crédito e suas aplicações - de forma a instruir a educação financeira e a alertar sobre o sensacionalismo presente nas propagandas. Desse modo, será possível diminuir os índices de devedores que causam um prejuízo econômico ao país e, ademais, por fim ao ciclo vicioso que a herança ideológica da Guerra Fria ainda prende os consumidores do Brasil.