Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 30/10/2019

O “American Way Of Life”, vigente nos Estados Unidos do século XX, promovia na sociedade americana um comportamento compulsório de consumo, a fim de estabilizar a economia do país. De maneira análoga à política estadunidense, ainda hoje, é possível observar os incentivos à compra irresponsável e exacerbada. Diante disso, há de se analisar que o conativo midiático, somado ao equívoco satisfatório de obtenção, pressupõem a questão do consumismo no Brasil e demonstra-se ecologicamente insustentável.

Em primeiro lugar, cabe observar que a demanda aquisitiva da população é constantemente massificada por manobras de comunicação. Isso porque, contempladas por estudos psicanalíticos, grandes empresas publicitárias acabam por atingir os anseios do indivíduo, de maneira a conduzi-lo ao consumo inconsciente. Sob essa óptica, o pensador Byung-Chul Han defende que a sociedade do cansaço é explorada por si mesma, e busca, na necessidade de atenuar suas próprias cobranças, realizações infundadas. Dessa forma, o consumismo irresponsável pode ser associado à teoria do filósofo sul-coreano, haja vista que o surto social é fruto de ambições emocionais, além de fundirem-se a um escape momentâneo.

De outra parte, é necessário ressaltar que a precarização do ecossistema é um indubitável eixo deficitário no hábitos de consumo no país. Diante desse parâmetro, o Princípio de Le Chatelier , o qual postula o sistema de equivalência em reações químicas, conjectura-se à problemática ambiental do consumismo, visto que, de maneira análoga ao deslocamento de equilíbrio químico, a natureza visa à correção de tais transgressões, alterando o próprio ciclo ecológico para sua manutenção. Nesse sentido, a esfera produtiva, cada vez mais adaptada ao consumidor, dista-se do freio fabril, além de exponencializar os impactos do largo consumo no meio ambiente. Urge, dessa forma, a ruptura dessa conjuntura, a fim de atenuar os impactos ambientais.

É, portanto, necessário combater o consumo inconsciente no Brasil. Para tanto, cabe à mídia, com seu papel conativo, promover uma alteração do direcionamento comunicativo das propagandas, que ao invés de impulsionar a compra, podem promover a reflexão acerca da obtenção de determinados produtos, e reduzir os impactos do consumismo na sociedade. Ademais, o Ministério do Meio Ambiente deve proporcionar estudos científicos - sendo esses importantes ferramentas no combate ao desperdício - por meio da obtenção de dados de desequilíbrios e possíveis resoluções, com o fito de fomentar nos cidadãos, a consequência de seus atos e sua consequente redução. Assim, o cenário brasileiro poderá desprender-se do ideal estadunidense e estabelecer uma sociedade consciente.