Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 18/09/2019
“Inutilia truncat”, “aurea mediocritas”, “carpe diem”. Essas características extraídas da escola literária Árcade, se aplicadas em conjunto, estariam em consonância com práticas adequadas ao consumo responsável. Todavia, na atualidade, no Brasil, o consumo consciente está longe de ser uma realidade. Em outras palavras, a racionalização prevista nos dois primeiros termos foi esquecida, enquanto o aproveitar o momento é aplicado aos extremos, sem que seja levado em consideração os impactos socioambientais.
Inicialmente, a compulsão pelo consumo leva o indivíduo a comprar de forma ilimitada. Para o filósofo Nietzsche, vontade de poder é um monstro de energia, sem começo, sem fim, um mundo dionisíaco das eternas autocriações e autodestruições. Nesse contexto, o consumidor brasileiro, mantém hábitos de compras por impulso ou de obsessão pela substituição de bens com o único propósito da aceitação social. Certamente, essa busca interminável pela satisfação está em harmonia com o citado mundo dionisíaco.
Ademais, é necessário ter consciência de que os recursos naturais são finitos. Para Pablo Neruda, “Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências.” De fato, ao fazer escolha pelo consumo exacerbado a sociedade está gerando um passivo socioambiental que traz como resultado a exploração de recursos naturais em quantidades superiores a capacidade de regeneração do Planeta, bem como, gerando volume significativo de resíduos sólidos. Como exemplo, Dados do INPE que mostram que cerca de 2.200KM2 de florestas foram desmatados no mês de julho/2019 e dados do WWF no qual o Brasil aparece como gerador de 11 milhões de toneladas de lixo plástico por ano e reciclando apenas 1,2% desse total.
Fica claro, portanto, ser necessário que o Brasil siga os ensinamentos Árcades em busca do consumo responsável. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação desenvolver campanha para transformar as escolas em ambiente questionador dos hábitos de consumo, para tanto, utilizem palestras a serem realizadas por atletas patrocinados com dinheiro público, dessa forma, comprometa os alunos na propagação da filosofia do consumo consciente. Complementarmente, que o Ministério do Meio Ambiente juntamente com ONGs ponham em prática a Política Nacional de Resíduos Sólidos, através da criação de núcleo de inteligência integrado, que desenvolva modelos de projetos de cooperativas de reciclagem, que inclua o desenvolvimento dos catadores de lixo, obtendo assim a redução do impacto socioambiental.