Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 20/09/2019

O Brasil, atualmente, se encontra entre as dez maiores economias mundiais. Contudo, ainda apresenta problemas de ordem socioambiental ao se considerar a ausência de consumo consciente dos cidadãos. No século XVIII, com o advento da Revolução Industrial, foi possível perceber o desenvolvimento de maquinários que permitiram a produção em larga escala e que revolucionaram a relação do homem com o consumo. Desse modo, o fenômeno deixou marcas na contemporaneidade e trouxe preocupações no que se diz respeito à manipulação inconsciente e à garantia de direitos dos seres humanos.

Em primeira análise, vale ressaltar que a educação é o fator principal no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, estando o Brasil na nona posição na economia mundial, de acordo com pesquisa recente do Fundo Monetário Internacional, seria coerente deduzir que o país possui um sistema público de ensino eficiente. No entanto, a realidade é justamente o oposto e o resultado dessa discrepância é claramente refletido no consumismo exacerbado. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, apenas três em cada dez consumidores são de fato conscientes. Diante do exposto, fica evidente que o senso da população está comprometido devido ao bombardeamento de produtos e propagandas que manipulam o indivíduo e o induz a compra.

Somado a isso, a falta de informação sobre o quão nocivo é o consumo desmedido é um cofator que afeta a prática do consumo consciente. Verifica-se que a importância de se conhecer de quem consome e o que consome é determinante para a efetivação desse termo. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, o consumismo não diz mais respeito à satisfação das necessidades e sim à adequação e auto segurança, o que gerou uma sociedade supérflua que adquire produtos para agradar seu ego. Assim sendo, é preciso que o governo demonstre os impactos negativos, como a exploração dos trabalhadores que, muitas vezes exercem sua profissão na informalidade, e o excesso de resíduos gerados a fim de estimular a reflexão.

Portanto, na realidade brasileira é perceptível que a escassez de consumo consciente está intimamente ligada à falta de conhecimento e à insuficiência da execução das atividades que competem ao governo. Logo, cabe ao Poder Legislativo, por meio de assembleias, revisar e aprovar leis que assegurem a designação de verbas para a área de produção e veiculação frequente de propagandas em outdoors, redes sociais e cartazes em que os malefícios sejam esclarecidos com o intuito de alertar a população. Destarte, essas intervenções trarão uma significativa mudança nos hábitos de consumo e elevarão a qualidade de vida de todos ao preservar o ecossistema.