Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 26/09/2019
Como lembrou o sociólogo Zygmunt Bauman, “Nos tornamos objeto ao consumir”. Analisando a frase do pensador e relacionando-a ao tema, pode-se entender a problemática dos hábitos de consumo no Brasil. No contexto atual, os brasileiros tornaram-se submissos aos padrões de comportamento da sociedade moderna que, cada vez mais, tende às disparidades em razão do consumismo descontrolado.
A priori, como afirmou o filósofo francês Etienne de La Boétie, “o homem é naturalmente livre e quer sê-lo, mas sua natureza é tal que se amolda facilmente à educação que recebe”. Sob essa ótica, cabe ressaltar que, no Brasil, a disciplina de educação financeira não compõe a grade curricular das escolas, favorecendo, assim, a manutenção do cenário de despreparo dos consumidores. Isto posto, percebe-se a necessidade de frear tais impulsos causados pela falta de informação e de planejamento dos indivíduos.
Ademais, de acordo com o advogado Geraldo Tardin, “o brasileiro tem mais hábito de comprar do que economizar”. Nesse sentido, o consumo irresponsável contribui, significativamente, para o endividamento das classes mais baixas, uma vez que, independente da renda, o interesse pelos produtos são parecidos em todos os níveis sociais. Segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito, 62 milhões de pessoas estão inadimplentes no país. Nota-se, portanto, um cenário de desequilíbrio que precisa ser alterado.
Diante do exposto, medidas são necessárias para tornar os brasileiros mais reflexivos aos hábitos de consumo. Então, o Ministério da Educação deverá tornar obrigatório o ensino de educação financeira nas escolas, abordando o tema desde o ensino básico, a fim de preparar as futuras gerações a lidar com o planejamento dos gastos. Além disso, o Ministério das Comunicações deve promover palestras, ministradas por professores e economistas, com interesse de discutir os perigos do consumo exagerado. Feito isso, mudaremos os padrões de comportamento da sociedade brasileira.