Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 25/09/2019

O filme “Os delírios de consumo de Becky Bloom” retrata a vida de uma jornalista financeira viciada em compras, e que, por esse motivo, fica constantemente endividada. Apesar de ser uma ficção, a obra mostra uma realidade vivida no Brasil, onde vivemos em uma sociedade altamente consumista, em que mais é sempre melhor, formando uma cultura valorizada por bens materiais, influenciados pela cultura de massa, ou, inconscientemente, pelas “armadilhas” da indústria.

Observa-se, em primeira instância, que a obsolescência programada, que consiste em tornar o produto obsoleto ou não-funcional, contribui para o aumento do consumo exacerbado. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor e a empresa Market Analyses, o celular é o aparelho que tem menos duração, com menos de três anos, nesse sentido, o consumidor é forçado a comprar a nova geração do produto, aumentando, assim, os índices de consumo.

Deve-se abordar, ainda, que, assim como afirmam os filósofos alemães Theodor Adorno e Max Horkheimer, a indústria cultural, ou seja, os grandes grupos midiáticos que controlam os meios de comunicação de massa - rádio, televisão, revistas e internet - são usados para para ditar um padrão de consumo e alienar as pessoas, principalmente o público infantil. Sabe-se que as crianças são um alvo importante, não apenas por influenciar 80% das compras de sua família, como mostra a pesquisa da empresa Interscience, mas também porque são impactadas desde muito jovens pelas propagandas e tendem a ser mais fieis as marcas e ao próprio hábito consumista. De acordo com um estudo do Ibope Monitor, foram investidos R$ 209 milhões em publicidade de produtos infantis nos anos de 2005 e 2006. Nota-se que é de extrema importância incentivar a criticidade do público infantil.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação investir na criação de ações educativas em escolas, tais como: oficinas e palestras, ministradas por profissionais da área de finanças, voltadas não apenas para os alunos, mas para as famílias também, com o objetivo de alertar sobre os efeitos de um consumo exagerado, dar dicas de como evitá-lo e exercer uma criticidade. Ademais, é papel do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária avaliar de forma mais rígida as propagandas, principalmente infantis, banindo e evitando que campanhas incisivas sejam veiculadas, com o intuito de diminuir esse ideal de consumo até então propagado.