Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/10/2019

Contemporaneamente, o capitalismo impõe, como pressuposto para seu sucesso, o consumo como base da sociedade. Nesse sentido, o consumismo passou a ser amplamente incentivado sem que fossem levados em consideração os impactos sociais decorrentes de tal postura. No Brasil não é diferente. Seja pela influência da mídia, seja pelo status social que o “ter” proporciona a pessoa, o consumo inconsciente e desnecessário tem tomado grandes proporções e fomenta a tomada de atitude no sentido de reverter esse cenário.

Em primeira análise, é importante entender o papel que a mídia desempenha nos hábitos de consumo da população. Sob esse viés, filósofos da Escola de Frankfurt, como Adorno, por exemplo, acreditam que a propaganda tem o objetivo de moldar os desejos e necessidades dos consumidores, de acordo com o que ser quer vender. Assim, as pessoas são levadas a comprar produtos que não precisam, mas que acreditam precisar, influenciados por um forte apelo midiático.

Ademais, o ter, atualmente, se tornou sinônimo de prestígio social fomentando ainda mais os hábitos consumistas. Nessa conjuntura, as pessoas passam a adquirir produtos com intuito de ostentá-los em seus círculos sociais e, assim, obterem status e estima. Além disso, essa prática também é comum entre crianças, o que a torna ainda mais preocupante, pois estes são facilmente manipulados, acarretando o desvio de prioridades que, na infância, devem estar associadas ao lazer e à educação.

Depreende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para reverter o quadro atual. Para isso, o Estado, por intermédio do Ministério da Educação, deve inserir, dentro da grade de sociologia, o estímulo ao pensamento crítico dos estudantes frente aos anúncios midiáticos a que estão expostos, no intuito de formar cidadãos conscientes em relação aos seus hábitos de consumo. Somado a isso, o Ministério Público, diante de seu dever de proteção a crianças e  o adolescente, deve cobrar do Poder Legislativo leis que regulamentem a propaganda veiculada ao público infantil, com o fim de evitar o estímulo ao consumo desenfreado à um público ainda carente de discernimento. Só assim, será possível haver uma relação de equilíbrio no que tange o consumo no Brasil.