Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 10/10/2019
Compro, logo existo
A Revolução Industrial provocou grandes transformações na sociedade, proporcionando um leque de opções para consumo em massa, mudando os costumes das pessoas no tocante à aquisição de bens. Nesse contexto, deve-se analisar a relevância do mercado de consumo para a movimentação de uma sociedade em que “ter” é mais importante do que “ser”.
Em primeiro lugar, deve-se compreender que o pilar da cultura de massa é a publicidade. Todos os dias a sociedade é bombardeada por anúncios publicitários que relacionam a compra de um produto diretamente com a felicidade do consumidor, dá-se início a um processo de alienação e ilusão. De acordo com o o sociólogo polonês Bauman, o ritmo incessante das transformações gera angústias e incertezas e dá lugar a uma nova lógica, pautada pelo individualismo e pelo consumismo. Segundo estudos do Serviço de Proteção ao Crédito, 36% dos brasileiros fazem compras para aliviar o estresse do cotidiano. Além disso, 47,7% dos consumidores fazem compras para se sentirem bem.
Outro ponto a ser levantado, é que com o consumismo a produção de lixo também aumenta. Conforme o Panorama dos Resíduos Sólidos, foram coletadas mais de 71 milhões de toneladas de lixo no ano de 2016. Conforme o relatório da ONU, foram gerados 44,7 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo no ano de 2016. Esse número é amplamente afetado pela obsolescência programada, estratégia utilizada pelas indústrias para movimentar a economia e aumentar o consumo, a partir da redução do tempo útil de funcionalidade dos produtos, tornando-os obsoletos mais cedo. Sendo assim, é necessário atentar-se ao descarte do lixo tecnológico, também conhecido como e-lixo, pois o mesmo possui metais pesados que podem contaminar a natureza.
Com efeito, é imprescindível uma união entre o Estado e a população para resolver o impasse em pauta. Em primeiro plano, cabe ao Ministério da Educação estimular o pensamento crítico na sociedade por meio de palestras nas escolas e propagandas em telejornais, evitando a entrada da população no mundo consumista sem um senso consciente pré-formado. Outrossim, o Governo Federal em parceria com as prefeituras deve incentivar a comunidade a separar o lixo e entregá-lo em centrais de reciclagem por meio de um benefício em porcentagem de desconto nos impostos como IPTU. Só assim a frase de Descartes “penso, logo existo”, passará a fazer parte de uma sociedade ativa e crítica.