Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 22/10/2019

Para o pregador e autor calvinista John Piper, ‘‘a marca da cultura do consumo é a redução do ‘‘ser’’ para ‘’ter’’. Essa visão, é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que se tornou frequente o consumismo, nas diversas relações cotidianas. Isso ocorre, ora em função dos padrões de comportamentos criados pela sociedade, ora pelo sistema capitalista vigente, fator que potencializa os desafios de um consumo consciente. Assim, hão de ser analisados tais aspectos, a fim de que se possa liquidá-los de maneira eficaz.

A priori, é imperioso destacar que a Revolução Industrial é o fator motivacional que originou essa sociedade do consumo. Pois, foi a responsável pela modernização dos processos de produção e da potencialização das vendas em massa, ciclo característico do sistema capitalista, sendo o consumidor a peça chave dessa engrenagem. Contudo, à medida que os consumidores foram se distanciando dos meios de produção, passaram a se alienar também em relação ao real valor dos bens e a necessidade em adquiri-los tornou-se cada vez maior, fazendo com que o ‘‘consumir’’ se tornasse um hábito indispensável para a sobrevivência.

Outrossim, é imperativo pontuar que a prática de consumo no Brasil, deriva, ainda, dos padrões comportamentais criados pela sociedade, padrões esses reforçados pela mídia e com o objetivo de demonstrar o quão bem sucedido um indivíduo é. Logo, pessoas de todas as classes sociais passaram a ter vontades semelhantes em relação aos ‘‘sonhos de consumo’’. Porém, o acesso aos bens de consumo mais caros não são tão simples para os grupos de baixo poder aquisitivo, fato comprovado através de pesquisas feitas pelo IBGE -Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas- pode-se afirmar que o consumismo ajuda a acentuar a diferença de classes no Brasil.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses desafios, para instigar um hábito de consumo consciente. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação -ramo do Estado responsável pela formação civil- inserir, nas escolas, desde a tenra idade, a disciplina de Consumo sustentável, de cunho obrigatório em função de sua necessidade, além de difundir campanhas instrucionais, por meio das mídias de grande alcance, para que o sujeito aja conforme suas reais necessidades. Ademais, o indivíduo deve repensar suas atitudes ao se tratar em consumo, questionar e avaliar bem a sua decisão antes de adquirir algo apenas por ser um padrão imposto pela sociedade. Dessa forma, teremos consumidores mais conscientes, fazendo com que o ‘‘ser’’ volte a tornar-se mais importante que o ter.