Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 02/11/2019
Segundo o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas atitudes. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, isso não passa de uma teoria, visto que a questão dos hábitos de consumo ainda estão em debate - o que explicita a ausência de Políticas Públicas para a formação plena do cidadão.
No Brasil, indubitavelmente, existe medida do governo para proporcionar condições dignas aos consumidores. Pode-se mencionar, por exemplo, o Sistema de Proteção ao Crédito-SPC-, cujo objetivo é contribuir para o desenvolvimento do mercado de consumo e a prestação de informações sobre adimplência e inadimplência aos lojistas e instituições fornecedoras de créditos em geral. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado já intenta contemplar as ideologias do Existencialismo.
Contudo, tal ação é não capaz de atenuar, verdadeiramente, os casos de maus hábitos de consumo no Brasil, pois, devido à falta de informações sobre finanças – que além de possibilitar consequências físicas e psicológicas, pode comprometer planos futuros, o que se observa, na maioria das camadas sociais da nação e até no público infantil, são níveis alarmantes de compras sem necessidade, motivados, principalmente pelas promoções e influências da mídia. Percebe-se, pois, as consequências da fragilidade da educação oferecida à maior parte da sociedade, que não prepara os indivíduos para exercerem, de fato, sua cidadania. A verdade é que, os dilemas do consumo no Brasil não serão atenuados, enquanto o Estado não pautar a educação na responsabilidade de forma que contribua para o convívio em sociedade, afinal “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês Jean-Paul Sartre.
Depreende-se, pois, que há a necessidade de investimentos no Ensino Básico – o que já é assegurado pela lei de Diretrizes e Bases, n°9.394/96. Para tanto, é plausível que o Estado, por meio do Ministério da Educação, não só contemple os componentes curriculares de Formação Cidadã e Educação Financeira, mas também – em parceria com as escolas- desenvolver nas comunidades, palestras e campanhas publicitárias, a fim de trabalhar temas sobre finanças e suas consequências, com a finalidade de não apenas conscientizar, além de instruir e moralizar, e, por consequência atenuar os desafios dos hábitos de consumo no Brasil. Se assim for feito, a maior parcela da nação desfrutará dos princípios existencialistas.