Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 11/07/2020

Segundo o alemão filósofo Friedrich Hegel, “O Estado é pai da população e tem o dever de cuidar dos seus filhos”. Contudo, o Estado brasileiro não tem protegido a população adequadamente, que sofre rotineiramente com o consumismo exacerbado, principalmente com a criação de falsas necessidades e a coerção exercida pela sociedade. Sendo assim, convém analisar os efeitos dessa problemática, seriamente nociva ao desenvolvimento do corpo social.

Inicialmente, é importante ressaltar a imposição de falsas necessidades como fator determinante para os hábitos consumistas. De acordo com os filósofos Adorno e Horkheimer, o consumismo excessivo nas sociedades contemporâneas pode ser explicado pelo conceito de “Industria Cultural”, no qual o capitalismo cria ilusórias necessidades, levando ao consumo compulsivo. Nesse sentido, as mídias sociais atuam como mecanismo de propagação desse “fetichismo de mercadoria” e o cidadão influenciado por tais dispositivos é manipulado a aderir aos interesses mercantis.

Ademais, é válido destacar a própria coerção social como responsável por legitimar tais hábitos de consumo. Desse modo, conforme o sociólogo Pierre Bourdieu, o “Capital Social”, atrelado ao status das pessoas, consegue coagir os indivíduos a consumir, de modo que só assim sejam aceitos socialmente. Nessa conjuntura, o cidadão é compelido a inserir-se na lógica consumista, levando a uma ilusória e momentânea sensação de prazer, que logo é convertida em frustração. Dessa forma, é imprescindível a dissolução desse cenário, fomentador de contínuo retrocesso.

Portanto, a fim de atenuar os hábitos de consumo excessivo, cabe ao Ministério da Educação promover uma maior educação financeira dos brasileiros no ambiente escolar. Isso pode ser efetivado por meio de uma grade curricular que institua a matéria de educação financeira básica como obrigatória. Além do mais, a grande curricular deve conter uma elevada carga horária dessa disciplina, com palestras que discutam frequentemente a importância do consumo consciente.