Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 31/07/2020
Em sua icônica obra “A República”, Platão descreve a idealização de uma sociedade na qual cada um dos seus integrantes é um ser pensante e tem consciência da sua individualidade, dessa forma não se moldando com base em rótulos. Esse modelo social pode ser considerado como utópico ao se observar as maneiras de consumo presentes Brasil. Faz-se nítido, sob tal perspectiva, que essa situação problemática se dá em conta da falta de consciência da população em relação ao seu consumo, que por sua vez, está relacionado ao próprio funcionamento da sociedade, logo, se faz evidente a necessidade do Estado de realizar ações que visem atenuar tal panorama.
Inicialmente, mostra-se relevante que tal consumismo tem sua origem atribuída aos primórdios da civilização humana, de forma que, ao longo de toda a história, as sociedades existentes sempre requisitavam a contribuição e, mais importante, a integração de seus componentes, que do contrário, seriam excluídos de seus grupos. A exemplo, demonstra-se o período conhecido como “loucos anos 20” que ocorreu nos Estados Unidos na década de 1920, no auge lúdico do capitalismo do país. Sob tal ótica, confirma-se a exclusão da sociedade àqueles que não se inserem devidamente, que, no momento em questão, eram representados pelos que não tinham poder de compra e eram vistos como fracassados, demonstrando de tal modo a necessidade de mudança sempre presente.
A partir da origem histórica dos desregulados hábitos de consumo, destaca-se o modo pelo qual o capitalismo, a partir da hegemonização de produção, gera diferentes grupos sociais que são influenciados por diversos setores. Tal como descreve Émile Durkheim, ao abordar o conceito de solidariedade orgânica, na qual afirma que as sociedades modernas são coesas e seus indivíduos tem grande interdependência. A partir desse conceito, é evidente que a divisão dos indivíduos em distintas bolhas sociais é causada pela necessidade que esses tem de se incluírem nas mesmas, e é refletida no consumo dos produtos que os permitam retratar tais imagens, fator que é amplamente explorado pelo sistema capitalista, de modo a apenas aumentar os gastos exagerados da população.
Dessa forma, portanto, se faz claro o risco que o consumismo desenfreado representa para a sociedade atual e tal situação pôde ser observada na crise de 1929 nos Estados Unidos e, por esse motivo, urge em ser amenizado. Assim, cabe ao Estado optar por implementar no ensino, matérias sobre a educação financeira, destarte, a criar um maior contato dos indivíduos com questões relacionadas à renda e economia, os permitindo ter mais consciência sobre seu consumo. Por fim, assim sendo, é possível vivermos em um mundo cuja sociedade se aproxima mais da proposta por Platão, uma sociedade justa e consciente.