Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 11/08/2020

O Super-Homem, idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. No entanto, quando se analisa os hábitos de consumo desenfreado no Brasil, percebe-se que o ideal proposto pelo autor está distante da realidade, uma vez que tal ato propicia muitos malefícios ao indivíduo. Situações como essas são potencializadas ora pela inércia estatal, ora pelos perniciosos hábitos sociais.

Em primeira análise, fundamentando-se na Teoria do Corpo Biológico, proposta pelo sociólogo Émile Durkheim, a sociedade atua configura-se como um corpo humano: é necessária a atuação de todos os órgãos em prol do seu pleno funcionamento. Contudo, o Poder Público configura-se como um órgão falho, uma vez que os investimentos destinados à ações que minimizem publicações de propagandas impostas pela mídia que incitem de forma precoce o consumo, são ínfimas. Em decorrência disso, a mídia influencia desde muito cedo, inclusive nas crianças, o desejo de compra, impondo o consumismo como forma de enquadramento do indivíduo ao meio social, tal situação provoca problemas ao meio econômico , dado que alguns possuem despesas superior ao seu poder aquisitivo.

Outrossim, os perniciosos hábitos sociais que idealizam o ter ao invés do ser e uma elevada padronização dos objetos contribuem para a permanência do alto índice de consumo no país. Nesse viés, de acordo com os sociólogos da  Escola de Frankfurt, a sociedade tornou-se um instrumento voltado para a obtenção de lucros. Sob essa óptica, a excessiva  mercantilização das redes de shopping centers proporciona com maior frequência promoções nas lojas como forma de tornar o consumidor dependente da compra como “escape para o estresse do cotidiano”, tornando-os consumidores inconscientes, tal ato evidenciado pelo Serviço de Proteção ao Crédito Brasil (SPC), que relata que a cada 10 pessoas, apenas 3 consumem conscientemente.

Diante do supracitado, medidas são necessária para que haja a mitigação desse impasse. Para tanto, urge que o Estado fiscalize as propagandas impostas pela mídia, por intermédio da inserção de agentes potencializados ao meio mercadológico e ao consumismo que possam identificar se tal propaganda  pode influenciar o consumismo exacerbado nas pessoas, com o intuito de que menos pessoas sofram com os problemas que o alto índice de consumo pode acarretar. Ademais, é importante que as escolas incluam nas grades curriculares assuntos voltados para o cotidiano, como os hábitos de consumo pela população, a partir de palestras lúdicas com pais e filhos ministradas por agentes que possuem saber no assunto, com a finalidade de que menos pessoas apreciem o ter ao invés do ser. Com isso, o legado de Nietzsche tornará-se real.