Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 19/09/2020
Inércia é uma lei da física, a qual um corpo tende a permanecer em repouso ou em movimento retilíneo e uniforme, a menos que haja uma força externa sobre ele. Deste modo, podemos observar como o consumo inconsequente mantém o indivíduo em seu estado de inércia, movendo-se com direção e sentido contrários as suas reais necessidades. Portanto, a falta de instrução a respeito da pauta e a ilusão do livre-arbítrio contribuem para a problemática.
A priori, deve-se inferir a respeito da educação como fator de transformação social. O filósofo e matemático Pitágoras afirmava: ‘‘Eduque as crianças e não será necessário castigar os homens ‘’. Isto posto, é notório a tamanha importância que a educação tem na formação do indivíduo. Entretanto, o sistema de ensino encontra-se ultrapassado, uma vez que a grade comum curricular tem por objetivo a formação do aluno em áreas específicas das ciências, sejam elas humanas ou exatas, ademais, a ausência de disciplinas como educação financeira deixam o cidadão a mercê de suas próprias vontades irracionais. Sendo assim, a escola deixa de cumprir seu papel fundamental ao se ausentar do ensino de valores tão importantes quanto saber a diferença de briófitas e pteridófitos.
Outrossim, faz-se necessário questionar o quão livre o homem é na tomada de suas decisões. O escritor inglês George Orwell dizia: ‘‘A massa mantém a marca a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa’’. Em vista do referido, torna-se perceptível o poder que a marca e a mídia detém no controle de decisão dos cidadãos. Deveras, a união da marca com a mídia resulta na propaganda, que se utiliza de recursos apelativos da linguagem para persuadir e manipular o indivíduo, de modo a tomar atitudes que podem prejudica-lo, sob a falsa prerrogativa que determinado produto ou serviço são de vital importância para sua vida. Por conseguinte, a propaganda se mostra como um instrumento de alienação ao explorar as vontades do cidadão, sem que este se dê conta.
Diante dos fatos supracitados, é de suma importância desenvolver o consumo consciente no Brasil. Para isso, é papel do Ministério da Educação implantar na grade comum curricular a disciplina educação financeira, de modo a criar nos alunos o senso crítico perante o assunto, com o intuito de torná-los capazes de pensar racionalmente sobre suas decisões de consumo. Além disso, é papel do Ministério da Cidadania realizar campanhas em locais públicos, alertando quanto aos mecanismos usados pelas propagandas para persuadir um possível comprador, a fim de tornar o cidadão capaz de reconhecer esses instrumentos e decidir por si se precisa de determinada mercadoria. Só assim, faremos com que o consumo ande na mesma direção e sentido das reais necessidades dos cidadãos.