Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 25/09/2020

“Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes”, lançado em 2016 nos Estados Unidos, aborda de maneira reflexiva o consumismo compulsório e a noção equivocada dos indivíduos encontrarem felicidade nos bens materiais. Nesse sentido, discutir sobre os hábitos de consumo tornou-se importante a medida que as compras pararam de suprir uma necessidade básica e passaram a representar sinônimo de poder aquisitivo. Desse modo, além da mídia, que constitui um dos fatores que acentuam esse fenômeno, o status social que vem com o produto adquirido também é um das causas.

Convém analisar, inicialmente, que em um sistema capitalista baseado nos fins lucrativos, o investimento em propagandas é a estratégia que as empresas utilizam para vender os produtos, e para isso, utilizam de anúncios que associam o objeto a uma necessidade do sujeito devido as características “inovadoras” que possui. Em outras palavras, o cotidiano dos sujeitos é cercado por apelos nas mídias a respeito dos mais variados materiais, de modo que o consumo compulsório tornou algo tão natural quanto uma necessidade básica, visto que as propagandas aumentaram o poder de alcance e públicos. Por analogia, os sociólogos Adorno e Horkheimer desenvolveram o termo de “Indústria Cultural”, que possui como característica o lazer como um momento de consumo, ou seja, a fim de vender e dar notoriedade a marca as empresas insere-os em filmes e novelas.

Outrossim, infelizmente na sociedade os indivíduos possuem um valor que está intrinsicamente associado ao poder aquisitivo. A saber, comprar algo que está na moda ou em alta propicia visibilidade para que o cidadão seja bem aceito e se encaixe nos círculos sociais, uma vez que a mercadoria passa a oferecer mais que utilidade. Só para ilustrar, a causa dessas noções fantasiosas podem ser relacionadas aos influenciadores digitais, que para promoverem os produtos utilizam as redes sociais para demonstrar seja por fotos ou vídeos extremamente “realizados” os benefícios de adquirir o objeto, o que acaba resultando no fetichismo de mercadoria, produtos que possuem símbolo de status, segundo o sociólogo Karl Marx.

Fica evidente, portanto, a urgência de medidas para reverter o consumo compulsório no Brasil. Logo,  cabe ao Ministério da Educação incluir na grade curricular dos alunos uma educação voltada à promover o controle sobre as compras por intermédio de palestras e teatros que encenem e discutam sobre o consumismo exagerado e como esse hábito se manifesta a fim de construir uma sociedade menos superficial e consumista. Ademais, é dever da Secretária Especial de Cultura conscientizar a população sobre o consumo exagerado por meio de anúncios e propagandas que mostrem as diferenças entre adquirir por necessidade, e comprar sem pensar a fim de amenizar essas ações.