Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2020

No filme “Wall-E”, é retratada uma realidade distópica em que a vida na Terra tornou-se insustentável devido aos hábitos de consumo exacerbados da civilização humana. Nesse sentido, não tão distante da obra, o mesmo cenário poderá ocorrer no Brasil uma vez que a população é influenciada pela Industria Cultural e não apresenta um consumo consciente, tais fatores levam à produção exagerada de lixo apresentada na animação, mostrando, dessa forma, que a problemática deve ser debatida.

Nessa perspectiva, sabe-se que as mídias detêm certa participação nas escolhas comerciais das pessoas e a maior parte das atividades culturais e de lazer da população. Nesse contexto, é evidente a relação da influência comercial com o lazer e com a cultura, pois os comerciais durante os filmes, uma atividade de ócio presente na cultura brasileira, podem induzir comportamentos consumistas no telespectador. Outrossim, a presença dos filmes, que são produtos, nos hábitos da população revela influência da Industria Cultural, de Adorno, na sociedade e que ela está ligada ao elevado consumo dos brasileiros.

Ademais, parafraseando René Descartes, a frase “Compro logo existo” revela o caráter impulsivo e de necessidade presente na população do Brasil e, dessa maneira, uma relação com a falta de consciência e autocontrole perante um produto ou promoção. Nesse viés, a compra de um item desnecessário para o indivíduo ocorre de maneira inconsciente e viciosa devido a produção de dopamina, oriunda do sistema de recompensa do cérebro, após a satisfação de um desejo provocado por uma propagando. Tangente ao exposto, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, sete em cada dez brasileiros são consumidores impulsivos, evidenciado, assim, a ausência de autocontrole das pessoas durante uma compra.

Infere-se, portanto, que a influência da Industria Cultural e a falta de consciência da população são os motivos dos hábitos de consumo excessivos do Brasil. Sendo assim, para reverter essa situação, cabe ao Ministério da Educação tornar presente o ensino financeiro na população desde a sua formação, por meio da criação de uma disciplina obrigatória nas escolas que ensine consciência financeira e a evitar a compra de produtos sem necessidade. Além disso, essa matéria estará presente desde o Ensino Fundamental ao Ensino Superior, com o fito de reduzir o consumo. Desse modo, a condição financeira dos brasileiros melhorará, a produção de resíduos será reduzida e o futuro de “Wall-E” evitado.