Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 05/11/2020

Quando os portugueses chegaram no Brasil Colônia, notaram que os indígenas possuíam a prática de consumir da natureza apenas o que era essencial para a subsistência. Contudo, essa atitude ficou no passado do povo brasileiro, visto que a sociedade de consumo se difundiu com o passar do tempo, em virtude das inúmeras revoluções industriais e da massificação do mercado. Sob essa ótica, compreender o atual cenário dos desafios de se ter um consumo consciente é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a obsolescência programada e a influência da mídia sob a população são notadas.

É preciso considerar, antes de tudo, que o consumismo persiste intrinsecamente relacionado à lógica capitalista. Nesse sentido, esse é incentivado ao se fabricar produtos, os quais são pouco duráveis e precisam ser substituídos com maior frequência. Desse modo, as empresas garantem a volta do cliente às lojas, de forma a gerar ainda mais lucros. Essa realidade é ilustrada pelo site “MídiaBahiana”, de maneira a ratificar que o Brasil é o maior gerador de lixo eletrônico de toda América Latina. Tal fato, aponta para ações urgentes de entidades, como o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON), para sanar tal problemática.

É válido ressaltar, ainda, a alienação midiática sofrida pelo corpo social. Nesse contexto, propagandas coloridas, animadas e imperativas induzem crianças e adultos a terem um maior hábito de compras. Prova disso é que, segundo dados da empresa InterScience, 75% das escolhas de compra desses grupos são persuadidas pelos canais televisivos. Tal conjuntura, em consonância com a ideia de Fetichismo da Mercadoria do sociólogo Karl Marx, o qual salienta que a mercadoria deixa de ter seu valor de venda e alcança uma valorização superestimada, demonstra a necessidade da criação de medidas para minimizarem essa contenda.

Evidencia-se, portanto, que são diversos os fatores que impedem a aquisição de itens de forma responsável. Para contrapor as situações, cabe ao PROCON, em ação conjunta ao Poder Judiciário, punir práticas abusivas de comerciantes e indústrias, por meio de fiscalizações periódicas, a fim de evitar que os compradores sejam lesados e não tenham que comprar novos objetos. Outrossim, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações deve agir com maior rigor em relação aos comerciais transmitidos na mídia, por intermédio da seleção e restrição do tempo dos anúncios, com a finalidade de difundir apenas publicidades de marcas sustentáveis que incentivem o consumo planejado. Destarte, será possível amenizar tais impasses, na medida em que o legado de Karl Marx será um ensinamento e os costumes dos índios estarão mais próximos a nossa vivência.