Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 17/11/2020
O ser em destaque na obra “O Grito”, do artista norueguês Edvard Munch, parece experimentar extremo desconforto e pânico diante do desconhecido. Essa representação vai de encontro à ausência do sentimento de estranhamento social diante dos impactos causados pelo consumismo nas sociedades contemporâneas, já que, contrário à personagem, o corpo social não mais se espanta, sendo indiferente diante da não compreensão do problema. Nesse âmbito, devemos analisar, então, a relevância do mercado de consumo para a movimentação de uma sociedade em que “ter” é mais importante do que “ser”.
Em primeiro plano, vale também ressaltar que a mídia reforça toda essa situação. O incentivo constante das propagandas às compras faz com que o indivíduo se sinta pressionado a consumir, praticamente, a todo instante. Isso se explica pelo determinismo de Lamarck inserido no contexto social, já que, em razão do meio em que o consumidor se encontra estar cercado por essas publicidades, esse torna-se mais suscetível a tal influência, esquecendo-se de aderir a um consumo consciente. Sob essa óptica, fica visível que a influência midiática impulsiona esse impasse.
Ademais, a insuficiente educação brasileira corrobora a persistência desse quadro, pois, por não ter uma matéria específica que ensine sobre práticas de finanças no currículo nacional escolar, os alunos, os quais, posteriormente, serão economicamente ativos, não sabem, em geral, regular suas contas, deixando-se levar pela boa aparência de certos parcelamentos e acumulando dívidas graças ao desconhecimento sobre os juros e outras taxas financeiras. Nessa lógica, mostra-se evidente que a educação financeira é essencial para a manutenção de bons costumes de consumo.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para conter o avanço da problemática no país. Para isso, é preciso que a mídia, em parceira com ONG’s e sindicatos, fomente o pensamento crítico da população a respeito do consumo consciente por meio de campanhas publicitárias, novelas, cartilhas, palestras e debates. Aliado a isso, é mister que o Ministério da Educação implante uma matéria obrigatória sobre educação financeira no currículo nacional do Ensino Médio, contratando profissionais qualificados para abordar tal temática. Com essas e outras medidas, será possível ter um país menos consumista e mais responsável.