Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 22/11/2020

A célebre frase “No meio do caminho tinha uma pedra”, cunhada no poema de Carlos Drummond, retrata as intempéries que surgem na jornada do eu lírico, as quais, metaforizadas como pedras, obstruem o percurso de sua vida. Fora da ficção, tal poesia se reflete no contexto atual, já que, no meio do caminho do consumismo exagerado no Brasil, existem pedras. Diante dessa perspectiva, é preciso assumir a postura de um geólogo, com a intenção de analisar as medidas que precisam ser aplicadas para que as rochas, ora da negligência do Estado, ora da alienação, sejam levadas ao intemperismo.

Vale destacar, de início, que a desídia governamental corrobora para a vulnerabilidade dos cidadãos perante ao consumismo. Isso porque, segundo Aristóteles, em seu livro “Ética a Nicômaco”, “A política existe para preservar a felicidade da nação”. No entanto, o cenário atual rompe com o ideal proposto pelo filósofo, visto que, de acordo com o historiador Leandro Karnal, nos últimos 30 anos, o consumismo aumentou em 310%, principalmente em razão das escolas não discutirem sobre educação financeira, o que gera impactos ambientais irreversíveis – aquecimento global e acúmulo de lixo. Dessa maneira, vê-se a necessidade de apoio do poder público, para que as gerações do futuro não sejam prejudicadas pelo uso indiscriminado dos recursos naturais, na atualidade.

Faz–se mister, ainda, salientar que as mídias sociais potencializam a alienação. Isso pode ser explicado pelo fato da coletividade nupérrima viver em um “Estado de Anomia”, definido pelo sociólogo Émile Durkheim como um espaço de descontrole social, em virtude do uso inadequado das tecnologias. Em consequência disso, conforme o médico Dráuzio Varella: cerca de 64% dos brasileiros estão viciados nas redes sociais, por ação de softwares que manipulam as ações das pessoas, seja com apoio da indústria cultural, seja pelos algoritmos que promovem vendas de marcas poderosas como a nike e a adidas, o que desencadeia o alto consumo. Desse modo, evidencia-se que a alienação constitui um atendado à democracia, pois viola a higidez humana, tal como o equilíbrio individual.

Portanto, com o intuito de mitigar os impactos do consumismo no Brasil, cabe ao Governo criar políticas públicas, mediante leis de ensino - que determinem disciplinas de educação financeira nas grades curriculares -, a fim de mostrar aos alunos os malefícios do consumo exagerado, sobretudo para as gerações do futuro. Ademais, tais ações devem ser realizadas em parceria com as mídias sociais, por intermédio de palestras referente aos prejuízos da alienação, em que professores e psicólogos estimularão o pensamento autônomo dos alunos, com a finalidade de proporcionar o bem-estar social, tanto quanto preservar os recursos naturais. Destarte, o caminho tornar-se-á livre, pois, como disse a poetisa Cora Coralina: “Com as pedras atiradas, construí a minha obra”.