Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 27/11/2020
Segundo o filósofo Noam Chomsky, “Não se pode controlar o próprio povo pela força, mas se pode distraí-lo com consumismo”. Nesse contexto, com o objetivo de distrair e ocultar da população os problemas sociais do país, governos ao redor do mundo, inclusive do Brasil, utilizam a imposição de padrões sociais de vida para fomentar hábitos consumistas.
É necessário destacar, desse modo, que a criação de padrões dentro de uma sociedade leva os indivíduos à alienação pela busca de um estilo de vida utópico e ao distanciamento da realidade vivida. De acordo com a escola filosófica de Frankfurt, a indústria cultural lucra a partir da imposição de padrões e o uso da publicidade para criar uma relação entre felicidade e consumo. De maneira análoga, é possível perceber que os brasileiros relacionam diretamente o consumo à felicidade, pois, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 47% dos brasileiros confessam que compram para se sentirem bem.
É importante considerar, também, que, a partir da criação de padrões sociais, o consumismo torna-se um mecanismo eficaz de controle social. Conforme dados do portal G1, 76% dos brasileiros não praticam consumo consciente. Ao seguir essa linha de raciocínio, milhões de brasileiros anestesiados pela felicidade proporcionada pelo consumismo só se levantam para se manifestar contra os problemas sociais quando é tirado seu poder de consumo, como ocorrido na crise econômica do Brasil que ocasionou milhares de protestos nas ruas pela melhoria da qualidade de vida em 2014.
Fica claro, portanto, que a imposição de padrões sociais cria uma sociedade consumista e alienada quanto aos problemas do país. Cabe, desse modo, aos veículos de comunicação (televisão, revistas, redes sociais, etc.) promover, de forma incessante em suas postagens e programações diárias, a desconstrução de padrões sociais e da relação entre felicidade e consumo, a fim de libertar a população brasileira das amarras do consumismo e da alienação sistêmica.