Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 19/01/2021
Após a Segunda Guerra Mundial e a vitória dos Estados Unidos, ascendeu a adesão ao “American Way Of Life” - modo de vida americano que iguala a felicidade ao consumismo. Assim, essa cultura das compras alastrou-se pelo mundo em virtude de sua forte presença midiática, afetando negativamente os hábitos de consumo e a estabilidade financeira dos brasileiros.
Entre os fatores dessa prática irrefletida, destaca-se o danoso apelo da mídia para os receptores à adesão aos padrões impulsivos de compra, como confirma o sociólogo Walter Benjamin em sua obra “Passagens”. O autor analisou a marcante presença de outdoors e propagandas em Paris, que vendiam a ideia de que os consumidores seriam felizes se aderissem à essa prática. Nesse sentido, entende-se que a publicidade transforma negativamente a visão do consumo consciente, incitando a acumulação de bens para atingir um ideal irreal de satisfação.
Consequentemente, a atuação dos meios de comnicação de massa nessa questão contribuem para a fragilização do planejamento financeiro da sociedade brasileira, a exemplo do filme brasileiro “Até que a Sorte nos Separe”. Nele, o personagem Tino endivida-se após gastar toda a sua fortuna em supérfluos, movido pela visão de adquirir produtos como poder. Analogamente, percebe-se o potencial danoso da aceitação desses hábitos, afetando diretamente a qualidade de vida do indivíduo ao limitar seu poder de compra de bens essenciais, como alimentos e remédios.
É necessário, portanto, que essa prática maléfica de compra seja alterada. Para isso, cabe às instituições educacionais a inclusão de aulas de educação financeira na grade curricular desde os anos iniciais de escolarização, ministradas por professores de matemática e sociologia, visando reforçar a importância de equilíbrio nas contas e do entendimento do afastamento entre consumo e felicidade. Com essas medidas, criar-se-á uma geração que consumirá conscientemente e alheia à persuasão midiática - distante da realidade de Tino.