Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/05/2021

A animação “Wall-E”, de 2008, traz um planeta Terra poluído, inabitável e capaz de ser casa apenas a um pequeno robô recolhedor de lixo que tem muito trabalho a fazer. A crítica ao consumismo exacerbado é evidente durante todo o filme. O hábito atual de comprar desenfreadamente e sem responsabillidade assombra a população brasileira e traz consequências econômicas, sociais e ambientais.

Em primeira instância, deve-se frisar a facilidade de compras nos dias hodiernos. Após a Revolução Industrial e com a revolução dos transportes em massa, a disponibilidade e a variedade de produtos ao redor do mundo ficou cada vez maior. O avanço da internet também foi um grande marco devido a ascensão do consumo online, pois o deslocamento do consumidor até uma loja física tornou-se dispensável. Por efeito deste cenário, o ato de comprar tranformou-se em uma ação bastante simples e, consequentemente, muito intensificado. Desta forma, é válido destacar duas grandes problemáticas: o esgotamento dos recursos naturais e o endividamento da população.

O primeiro fator é agravado devido ao consumo em excesso. A produção em gigantesca escala juntamente com a procura em mesma proporção são capazes de gerar um esgotamento da natureza. Recursos naturais são explorados para a fabricação de mercadorias cada vez mais modernas e com menores vidas úteis, de modo que essa reposição de um produto velho por um novo acaba sendo frequente. Destarte, a geração de lixo é enorme principalmente em países mais populosos. Segundo pesquisas da WWF, o Brasil é o quarto país que mais produz lixo no mundo.

Ademais, é importante citar como o capitalismo cria no imaginário das pessoas uma necessidade de comprar. De acordo com Karl Marx, há um fetichismo em cima das mercadorias em que seu valor simbólico se sobressai ao valor finaceiro. Atualmente, as mídias sociais são, em grande parte, as responsáveis por criar esse fenômeno com os influenciadores, ou “influencers”, que usam suas vozes para realizar publicidades que são capazes de colocar qualquer produto na “wishlist” de milhões de pessoas. A fim de consumir tudo o que está em alta e, deste modo, se inserir nos grupos dominates, as classes mais baixas, em especial, entram na segunda problemática: o endividademento. Este é capaz de prejudicar toda a renda de uma família e sua qualidade de vida.

Fica evidente, portanto, o quanto a população brasileira precisa mudar seus hábitos de consumo para práticas mais responsáveis e conscientes. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Economia deve criar projetos de instauração de aulas de educação financeira nas escolas a partir do ensino fundamental. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente deve incentivar a redução de lixo em todo o país a fim de que a previsão de Wall-E não seja cumprida.