Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 28/05/2021

O filme “As patricinhas de Beverly Hills” retrata a vida de uma adolescente baseada em compras e nas infinitas superficialidades que o dinheiro é capaz de lhe dar. Essa se aliena completamente da realidade e se torna refém dessa vida contínua de aquisições, resumindo a importância e relevância de tudo e todos à sua volta ao que esses são capazes de possuir ou lhe fornecer. Foi assim na ficção e não é diferente no mundo real. No cenário econômico atual, onde a obtenção de lucro é o principal objetivo e o valor das pessoas é dado proporcionalmente ao que elas têm, problemas como o desenvolvimento de hábitos de consumo desenfreados e baseados no desejo constante de compra assolam a sociedade moderna.

A Revolução Industrial foi um marco divisor de águas na forma de produção e consequentemente de consumo. A partir desse ponto da história a tecnologia e a integração mundial cresceram em proporções drásticas aumentando a produção e gerando uma sociedade baseada no consumo em massa. Segundo Niall Ferguson, a sustentabilidade da industrialização foi os trabalhadores se tornarem, ao longo do tempo, também consumidores. Diferentemente dos escravos e dos servos, que não faziam compras, os assalariados compravam, fazendo o sistema funcionar. No Brasil, um estudo feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas descobriu que 3 em cada 10 consideram as compras como tipo de lazer favorito e que 40,2% dos entrevistados, pertencentes às classes A e B, usam das compras como forma de aliviar o estresse do dia a dia. Essa pesquisa apenas comprova uma ideia criada décadas atrás por Karl Marx, o Fetichismo. Esse surge como um fenômeno social e psicológico alegando que as mercadorias aparentam ter vontade independente de seus produtores, fazendo os mesmos perderem o controle.

Portanto a necessidade de consumo não é algo individual, mas sim uma estrutura que vem sendo construída e fortalecida a muito tempo. É necessário manter um padrão inalcançável para prender toda uma população a isso, fazendo-as sempre refém desse sistema. A partir disso, identificando a mídia como a principal propagadora desses pensamentos, propagandas conscientes que estimulem a compra apenas do que é necessário e que principalmente conscientizem seus receptores da importância de adquirir produtos de forma consciente seria capaz de iniciar o processo de solução desse problema.