Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 31/05/2021
“Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu tenho”, esse verso da canção “7 Rings”, da cantora Ariana Grande retrata uma sociedade consumista que visa sobretudo ostentações e aquisições de bens materias desnecessários. Analogamente, percebe-se que, no século XXI, a percistência do consumismo exacerbado no Brasil é uma perversa prática enraizada na sociedade, uma vez que o sistema capitalista retrata ordens imperiosas de consumo. Desse modo, cabe avaliar os fatores que contribuem para a propagação dessa problemática.
A princípio, cabe destacar a negligência do Poder Público para combater os vícios gerados pelo consumo em massa e a não normalização de tal quadro. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, grandes empresas sentem-se livres para persuadir as crianças, engajando as mesmas a cultura maximalista, com isso a mídia encontra-se vinculada a aplicar a comercialização infantojuvenil acerbada. Dessa forma, a opinião dos consumidores é influenciada, e o direito à liberdade de escolha ameaçado.
Ademais, o falho sistema de ensino - no que tange às novas áreas do empreendedorismo - contribui para a ocorrência do problema. Isso se confirma com a permanência de um ensino tradicionalista, que exclui o controle de gastos da rotina escolar, em oposição a constante persuação materialista contemporânia. Essa situação relaciona-se com a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), a qual expôs que apenas 31% dos brasileiros são consumidores conscientes. Dessa forma, tal porcentagem baixa de cidadãos lúcidos quanto aos malefícios da consumação, é justificada pela ausência didática do esclarecimento e do desenvolvimento crítico dos indivíduos.
Infere-se, portanto, que o Estado deve tomar providências visando mitigar os entraves à resolução da problemática. Para a concientizar a população brasileira a respeito do problema, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) crie, por meio de verbas governamentais campanhas publicitárias em espaços públicos que detalhem a importância do consumo consciente e integre no meio familiar orientações para se ter com crianças e adolescentes, elucidando os jovens sobre os perigos do consumismo exarcebado, com o objetivo de configurar um comportamento crítico quanto às falhas da sociedade. Dessa forma, será possível dissociar a atual conjuntura, conduzindo os brasileiros a enxergarem um mundo sem os limites impostos pelo capitalismo, onde, certamente, as ideias do filósofo Thomas Hobbes serão vivenciadas por todos os didadãos.