Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 25/06/2021

No livro Os delírios de consumo de Becky Bloom, da autora britânica Sophie Kinsella, a personagem principal sofre diversas atribulações em decorrência do seu vício em compras. Não distante da realidade, no Brasil, grande parcela da população enfrenta os problemas provocados pelo hábito de consumo. Sob essa ótica, o excesso de propagandas veiculadas na mídia e a facilidade em comprar pela internet corroboram para a persistência da problemática.

Convém ressaltar, a princípio, como empecilho à consolidação de uma solução o excesso de propagandas veiculadas na mídia. Segundo uma reportagem da revista Promoview, os anúncios publicados nas redes sociais tendem a estimular o consumismo desenfreado. Nesse sentido, os meios de comunicação, ao invés de cumprirem o seu papel social de informar a população sobre os riscos do consumo exacerbado, colaboram para o agravamento de tal hábito, uma vez que o estimulam através da veiculação em excesso de comerciais. Dessa forma, parcela expressiva dos cidadãos é induzida a comprar mesmo sem possuir necessidade real.

Outro ponto relevante na temática é a facilidade em comprar pela internet. Conforme dados divulgados por um estudo realizado pela NuvemShop, houve um aumento de 9% nas compras online no Brasil no ano de 2020. Nesse sentido, observa-se que a internet corrobora para o hábito de consumo já que oferece uma facilidade maior em relação a das compras feitas em lojas físicas. Tais facilidades provêm das várias formas de pagamento, grande variedade de mercadoria e preços mais baixos que os produtos comprados de maneira presencial. Assim, a prática de comprar se torna cada vez mais intrínseca na sociedade brasileira.

Portanto, visto os problemas referentes ao excesso de propagandas veiculadas pela mídia, faz-se necessária uma intervenção. Assim, o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, com o apoio de ONG’s especializadas, devem desenvolver ações que visem corrigir o excesso de propagandas nas mídias. Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciaram o problema. É possível, também, a criação de uma “hashtag” para identificar e dar visibilidade a ação a fim de conscientizar a população sobre os problemas provocados pelo excesso de propagandas nas mídias. Além disso, o Governo Federal, como órgão máximo responsável deve promover campanhas educativas sobre responsabilidade financeira na internet, com o objetivo de incentivar o consumo online de forma consciente. Talvez assim, seja possível construir um país do qual Becky Bloom pudesse se orgulhar.