Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 02/07/2021

Durante a Guerra Fria os blocos socialista e capitalista se enfrentaram, de forma indireta, na busca por ampliarem suas zonas de influência mundial. Tendo como resultado um maior destaque capitalista - baseado na busca constante por lucro -, os reflexos dessa disputa são sentidos, até hoje, no hábito de consumo da população, em muitos países, como no Brasil. Nessa conjuntura, torna-se necessário analisar o cenário de exclusão socioeconomica e os impactos ambientais advindos do modelo consumista brasileiro inserido nesse cenário.

Cabe destacar, a princípio, o impacto dos hábitos de consumo na exclusão social e econômica de parcela da sociedade brasileira. Sob esse viés, isso pode ser explicado pela disparidade na distribuição de renda que, segundo o índice de Gini, leva o Brasil a ser considerado um dos dez países mais desiguais do mundo. Nessa perspectiva, tendo em vista a constante modernização de produtos e o valor, muitas vezes exacerbado, dessas mercadorias, muitas pessoas não conseguem acessá-las plena e efetivamente, sendo, dessa forma, excluídas do modelo capitalista atual. Assim, a forma de consumo brasileira, ao mostrar-se fora da realidade social vigente, aponta para a necessidade de mudanças que evitem a permanência da segregação socioeconomica.

Ademais, os hábitos de consumo brasileiro também têm afetado o equilíbrio ambiental do país. Nessa ótica, isso explica-se pela superexploração dos resursos naturais e pela flexibilização das leis de proteção ambiental - que buscam sanar a obtenção de matérias primas para a fabricação de mercadorias - em detrimento da preservação da flora e da fauna brasileiras. Além do descarte inadequado de lixo, que tem aumentado com a obsolescência programada - usada pelo modelo econômico atual para obtenção maior de lucro - e do não cumprimento de atitudes que respeitem o desenvolvimento sustentável, defendido pela Constituição de 1988. Logo, torna-se evidente que essa forma de consumo vai de encontro a questão ambiental, sendo preciso alterações.

Portanto, tendo em vista os impasses sociais, econômicos e ambientais do consumo brasileiro, cabe ao governo federal elaborar projetos voltados a melhorias no quadro de consumo vigente, visando evitar a exclusão social e unir o modelo consumista atual ao cuidado ambiental. Nesse contexto, isso deve ocorrer por meio da criação do programa “ConsuAmb” que, em parceria com empresas e com órgãos de proteção ambiental, realizará a diminuição nos preços de mercadorias, com descontos aos setores de baixa renda da sociedade, e reduzirá os impactos ambientais, com a associação das atividades de exploração a sustentabilidade - usando de aprimotamentos no descarte de lixo, programas de reciclagem e aplicação efetiva das leis ambientais defendidas pela Carta Magna.