Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/09/2021

Nos Estados Unidos da América (EUA), após as Guerras Mundiais, surgiu um modelo de comportamento chamado “American way of life” - Estilo de vida americano - que se baseou no consumo exagerado, muitas vezes desnecessário, exposto pelos veículos de comunicação como o padrão de felicidade, a partir disso, esse ideal se espalhou por todo o mundo. Análoga a esse contexto, vê-se a perpetuação desse consumismo doentio na sociedade brasileira, na qual 7 a cada 10 brasileiros não são consumidores conscientes, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). Dessa forma, é imprescindível rever os hábitos de consumo no país.

Na obra “Vida para consumo”, do sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, o autor afirma que o consumo em si é inerente ao ser humano, contudo, torna-se um problema quando existe o desejo insaciável de consumir. De acordo com o exposto, pode-se afirmar que essa insaciedade é gerada pois a população recebe impulsos todos os dias por diversas propagandas que mostram os produtos como objetos capazes de garantir ascensão social e mudanças na própria personalidade do indivíduo. Tal situação é problemática porque pode gerar cidadãos com problemas psicológicos graves, como compradores compulsivos, de uma forma exponencial e permanente, caso não haja intervenção.

Ademais, é essencial lembrar que o consumo desenfreado é sinônimo de produção cada vez maior para atender a demanda e gerar lucro. A obsolescência programada corrobora para esse cenário, os bens materiais são feitos para não durar propositalmente, para que assim sejam substituidos rapidamente por versões mais novas e melhoradas. Com isso, é feito o descarte do anterior e várias consequências em cascata surgem, como a degradação do meio ambiente por conta da gigantesca quantidade de lixo. Dessa maneira, é clara a carência na parte educacional sobre os efeitos do consumo irresponsável.

Portanto, a discussão aqui apresentada chama atenção para a resolução do problema. Logo, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Educação, estabelecer momentos para palestras no horário normal de aula nas escolas, tanto na Educação Infantil, quanto no Ensino Médio, que informem acerca do método do consumo consciente de forma elucidativa e atrativa, para que esse traço de exageros já estruturado no Brasil seja transformado em equilíbrio. Assim, o famoso “American way of life”, ajustado ao contexto brasileiro, será superado.