Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 20/09/2021
O jornalista Gilberto Dimenstein produziu a obra denominada " Cidadão de Papel", na qual o indivíduo retratado possui direitos “garantidos” na legislação, entretanto, não os vivencia devido à subtração destes pela esfera governamental. Nesse sentido, essa perspectiva pode ser aplicada em diversos contextos brasileiros, como no alarmante aumento do consumo desenfreado, que prejudica milhares de cidadãos. Diante disso, é imprescindível enunciar o aspecto passional dos consumidores e a insuficiência legislativa como pilares fundamentais da chaga.
Em primeira análise, cabe-se pontuar a influência do estresse no cenário apresentado. Sob tal perspectiva, o levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Logistas em 2017, apontou que cerca de 4 em cada 10 brasileiros da classe média compram para reduzir o estresse do cotidiano. Dessa forma, percebe-se uma analogia entre a instabilidade emocional e o consumo, gerando o consumismo, que compromete o planejamento familiar e a qualidade de vida de muitos brasileiros. Dessarte, discorrer acerca do auto controle e da educação financeiro é o primeiro passo para controlar esse comportamento degradante.
Ademais, é válido salientar que a ineficácia pública corrobora a problemática. A esse respeito, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Alana em 2017, aproximadamente 75% do consumo infantil é motivado por propagandas televisivas. Partindo desse ponto, é necessário reter que, conforme a Constituição Federal de 1988, a publicidade direcionada às crianças é crime. No entanto, essa prática continua ocorrendo no terrirório nacional, devido a dificuldade em efetivar a fiscalização. Assim, a norma máxima em vigor mostra-se insuficiente para a resolução dessa faceta do consumismo.
Infere-se, portanto, que essa vergonha nacional necessita ser solucionada. Logo, a mídia, por intermédio da internet, irá promover a divulgação de videos institucionais de curta duração nas redes sociais. Essa medida ocorrerá por meio de entrevistas com especialistas em planejamento financeiro, com intuito de alertar a população aos riscos da impulsividade e incluir o debate econômico no cotidiano dos brasileiros. Em adição, o Congresso Nacional deve publicar artigos jurídicos efetivos na punição da publicidade voltada ao público infantil, com objetivo de desestímular essa prática criminosa. Feito esses pontos, a sociedade brasileira deixará de ser uma comunidade de papel, como enfatizou Dimenstein.