Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 19/10/2021

A obra cinematográfica “Os delírios de Becky Bloom”, retrata a narrativa de uma protagonista que tem o mau hábito de consumir em excesso, o que a faz ficar inadimplente. Fora da ficção, tal situação assemelha-se à realidade contemporânea, uma vez que os hábitos de consumo exacerbado dos brasileiros são um grave problema para sociedade. Esse nefasto panorama ocorre não só pela negligência estatal, como também pelo fetichismo da mercadoria presente no Brasil. Dessa maneira, faz-se imprescindível uma imperiosa análise dessa conjuntura.

A princípio, cabe pontuar que a omissão estatal no âmbito escolar colabora para a permanência desta problemática. Haja vista que, a falta de educação financeira e socioemocional nas redes de ensino evidenciam um deficitário sistema educacional, fruto da ineficiência do governo federal. Tal panorama lamentável, de certo modo, contribui para formação de jovens que carecem de informações acerca do tema e de instabilidade emocional, o que, por sua vez, tornam-os propensos ao hábito de consumo exagerado, ou seja, ao consumismo, o qual pode prejudicar bastante a qualidade de vida dos indivíduos, ao passo que facilita a inadimplência. Dessa forma, nota-se que essa lacuna no aprendizado é capaz de interferir no cotidiano de muitas pessoas, tornando a mudança desse quadro urgente, já que, segundo a Constituição federal de 1988, a educação de qualidade é um direito de todos os cidadãos.

Ademais, vale destacar que o fetichismo da mercadoria  vai de encontro com o problema. Em face disso, convém citar o “fetiche da mercadoria”, que segundo karl Marx, é uma tendência que induz o indivíduo a adquirir um determinado produto, não pela sua qualidade e necessidade, mas sim pelo status que o acompanha. Esse conceito, de certa forma, condiz totalmente com o atual contexto brasileiro, dado que pessoas que costumam adquirir produtos de forma inconsciente, geralmente, é devido não só pelo sentimento de felicidade oferecido no momento da compra, bem como pela valorização social que vem junto com o objeto. Entretanto, tal atividade de aquisição baseada em mercadorias surpérfluas pode ocacionar a oniomania, ou melhor, compulsão por compras, além de provocar um desequilíbrio ambiental. Logo, são essenciais medidas que coíbam essa mazela.

Portanto, fica claro que atitudes para a reversão desta conjuntura são cruciais. Dessa forma, concerne ao Ministério da Educação, em parceria com a mídia, grande poder de influência, potencializar, na instituições acadêmicas, a eduacação financeira e a socioemocional, que sobretudo deve conscientizar os jovens sobre como administrar o seu dinheiro e a como evitar o consumo compulsivo, em função de sua importância, a fim de diminuir o hábito de consumo exagerado no Brasil. Feito isso, será possível uma nação que difere-se do panorama retratado no filme “Os delírios de Becky Bloom”.