Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 19/10/2021

A obra cinematográfica “Os delírios de consumo de Becky Bloom” retrata a história de Rebeca, uma mulher que é uma compradora compulsiva. Fora da ficção, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, uma vez que os maus hábitos de consumo são evidentes na sociedade. Esse nefasto cenário ocorre não só pela negligência estatal, como também pela influência midiática. Dessa maneira, faz-se necessária uma imperiosa análise dessa conjuntura.

A princípio, vale ressaltar que a omissão do governo federal no âmbito escolar vai de encontro com a problemática. Haja vista que, a falta da educação financeira evidencia um deficitário sistema educacional, fruto da ineficiência estatal perante essa situação. Tal panorama lamentável, de certo modo, colabora para a formação de jovens que carecem de informações acerca de como administrar seus rendimentos, o que, por sua vez, tornam-os mais propensos a praticar o consumismo, o qual , a longo prazo, pode contribuir massivamente para o aumento de inadimplentes no Brasil. Dessa forma, cabe citar Paulo Freire, o qual menciona: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, visto que as escolas têm papel fundamental na prevenção ao consumo exagerado na população contemporânea. Assim, são essenciais atitudes que coíbam essa mazela.

Ademais, convém pontuar que a influência midiática colabora para a existência do problema supracitado. Em face disso, cabe abordar o conceito de “Fetichismo da mercadoria”, de Karl Marx, o qual afirma que o indivíduo é induzido a adquirir um determinado produto, não pela sua qualidade e necessidade, mas sim pelo status que o acompanha. Sob essa ótica, percebe-se que o raciocínio do sociólogo não difere da realidade brasileira, dado que, muitas das vezes, mediante à influência da mídia, o hábito de consumir em excesso bens materiais pelo seu valor simbólico e social é extremamente observado na nação. Tal situação, por sua vez, pode não só provocar a produção demasiada de lixo, bem como auxiliar no processo de degradação das relações sociais. Logo, nota-se que as redes midiáticas são capazes de interferir no comportamento de consumo das passoas.

Portanto, fica claro que medidas são fundamentais para a reversão desta conjuntura. Desse modo, concerne ao Ministério da Educação, grande poder transformador, fortalecer a educação financeira nas escolas, a qual deve ensinar os estudantes sobre como organizar seu dinheiro, mediante palestras e aulas dinâmicas, com a finalidade de possibilitar a formação acadêmica de qualidade. Além disso, cabe ao Estado, em parceria com a mídia, potencializar o combate ao consumismo no Brasil, em função de sua importância, por meio de palestras online e campanhas, a fim de modificar os hábitos de consumo no país. Feito isso, será possível a construção de uma sociedade mais consciente e menos consumista.