Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 10/11/2022
Na Constituição Federal é assegurado o acesso ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Contudo, é inegável que a prática consumista atravanca a efetividade de tal norma. Dessa forma, com o fito de solucionar a problemática, mostra-se imperioso analisar suas raízes, dentre as quais se destacam : o individualismo e a inércia governamental.
Nesse cenário, a falta do altruísmo social impede que o consumo consciente seja uma realidade brasileira. Sob esse prisma, o sociólogo Zygmunt Bauman - em sua obra “Modernidade Líquida” - afirma que a conjuntura hodierna, baseada na rápida substituição de mercadorias e princípios, favorece a desintegração do indivíduo em relação ao meio em que está inserido, sendo privado de pensar criticamente sobre sua realidade .Dessa maneira, o brasileiro, imerso em um contexto análogo a uma vitrine de produtos, é persuadido a comprar cada vez mais, permitindo que práticas consumistas o impeçam de refletir as consequências de suas atitudes para a sociedade. Assim, a Modernidade Líquida transforma o sujeito : de cidadão político a consumidor de mercado.
Ademais, a ineficácia estatal, no que tange ao desenvolvimento de políticas, fomenta o imbróglio. Isso porque, ao negligenciar projetos que reduzam a força midiática na propagação de publicidades de produtos não sustentáveis, o Estado, em sua lógica capitalista, estimula a prática desenfreada de comprar. Destarte, é evidente, à luz de Karl Marx, que é essência dos governos e das marcas o conceito de “Mercantilização da vida”, na qual os produtos vendidos ditam as relações sociais, de modo que quanto maior o poder de compra do cidadão, maior relevância esse terá.
Logo, com o intuito de mitigar os entraves para o consumo consciente, é necessário que o Poder Público - responsável pelo bem-estar social - realize acordos com grandes empresas comerciais que estimulem a prática sustentável em sua produção. Isso deverá ser feito por meio de reuniões com representantes dessas instituições e pelo estabelecimento de metas para preservação ambiental, as quais devem ser fiscalizadas. Dessa maneira, mudando-se a lógica produtiva, a sociedade refletirá sua forma de consumir e a Magna Carta será cumprida.