Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 07/04/2018
Propagandas, vitrines, promoções, produtos, dinheiro e dívidas. Com o fim da Guerra Fria e a hegemonia dos Estados Unidos do modelo econômico capitalista, a sociedade de consumo se concre-tizou na contemporaneidade. Essa realidade se faz presente também no Brasil, levando, entretanto, a infelizes problemas como o consumismo exacerbado e a irresponsabilidade frente às consequências dos maus hábitos de consumo. Dessa forma, torna-se necessária a discussão de tal conjuntura.
Em primeiro plano, é inegável a grande influência midiática sobre a sociedade. Parafraseando o escritor inglês George Orwell: a massa mantém a marca, a marca mantem a mídia e a mídia controla a massa. Diante da afirmação, torna-se evidente que os indivíduos são, muitas vezes, induzidos, por meio de campanhas publicitárias veiculadas em emissores de televisão e redes sociais, por exemplo, ao consumo exacerbado de produtos, serviços e do próprio conteúdo digital. Esse consumo desnecessário e em excesso configura-se como um problema, na medida em que é tido, em grande parte, como uma alternativa para lidar com as frustrações e o estresse cotidianos, ainda que inconscientemente; além de, para a maior parte da população, ter o seu acesso facilitado com o advento da internet.
Em segundo plano, a falta de consciência nos hábitos de consumo dos brasileiros revela irresponsabilidade perante o meio ambiente e o meio social. A aquisição compulsiva de produtos significa também maior volume de lixo produzido e descartado - problema que afeta toda a sociedade e tende a causar danos à natureza de difícil reversão, sendo um fator que, dificilmente, é analisado no momento da aquisição de novos produtos ou serviços. Além disso, é recorrente o endividamento pelo consumo exagerado, atestando a dimensão socioeconômica atingida pelo problema e a necessidade de mudança dos maus hábitos, que levam os indivíduos a comprarem mais do que realmente podem, em decorrência de um desequilíbrio emocional ou por terem sido muito influenciados pela publicidade.
Diante do argumentos supracitados, é preciso, portanto, que o Poder Legislativo desenvolva um modelo de fiscalização e punição mais eficiente, por meio da elaboração de leis mais austeras, no combate à veiculação excessiva de campanhas publicitárias a fim de proteger o consumidor da intensa influência midiática. Ademais, cabe às escolas, em conjunto com a população, a promoção de debates públicos em praças e áreas de grande movimentação, como shoppings e aeroportos, sobre os efeitos dos maus hábitos de consumo a fim de incutir na sociedade uma consciência social e uma responsabilidade ambiental que farão com que os indivíduos reflitam melhor a necessidade e as consequências no momento da compra.