Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 07/04/2018

Na obra “O Cortiço”, Aluízio de Azevedo retrata, a partir de um enfoque determinista, a capacidade do espaço em massificar o indivíduo, exercendo forte influência em suas relações sociais. Nessa perspectiva, observa-se que o consumo desmesurado que predomina na Contemporaneidade decorre, em especial, do modo vigente de produção capitalista aliado à influência midiática, aspectos que configuram uma grave afronta à construção do consumo consciente.

A princípio, a aquisição de produtos de forma massiva está intrínseca ao capitalismo. A esse respeito, a introdução do Toyotismo, na década de 1960, implementou a obsolescência programada como característica invariável das mercadorias comercializadas mundialmente. Tal estratégia capitalista visa a imposição do consumo como força coercitiva no meio social, visto que a aquisição de um novo produto é considerada como necessidade por grande parte dos indivíduos. É válido ainda ressaltar que, de acordo com o SPC Brasil, apenas 10% dos brasileiros são consumidores responsáveis, o que ratifica a predominância de uma sociedade caracterizada, essencialmente, pelo consumo. No entanto, não é razoável que esse modelo de produção persista em incentivar hábitos de aquisição inapropriados em um Estado Democrático.

Somado a isso, tem-se o fato de que a mídia atua nocivamente na construção de uma mentalidade pautada na associação direta entre consumo e felicidade. Nesse sentido, Adorno e Horkheimer propuseram o conceito de “Indústria Cultural”, segundo o qual  há tentativa midiática de padronizar os comportamentos da população e incentivar o consumo. Campanhas publicitárias simbolizam aqueles que consomem sem controle como detentores de prestígio social, tornando tais comportamentos como ideais a serem seguidos. Logo, é imprescindível a atuação social e estatal para que tais obstáculos sejam minorados.

Impende, pois, que a visão determinista proposta por Azevedo não continue a caracterizar as relações de consumo da atualidade, cuja existência é marcada pela nociva imposição midiática. Nesse sentido, o Conar deve regular a publicidade desmesurada de produtos, por meio de indenizações para as empresas que negligenciem a necessidade do consumo consciente. Além disso, organizações não governamentais devem desenvolver ciclos de debates acerca dos aspectos negativos do consumismo, com participação de especialistas no assunto, no fito de evitar que o consumismo encontre êxito no meio social brasileiro.