Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2018

A Revolução Industrial foi um dos principais acontecimentos do século XVIII para a consolidação do Capitalismo. Com o advento das máquinas, a produção em massa atingiu níveis altíssimos e proporcionou um aumento considerável do consumo. No entanto, na atualidade, o consumismo passou a ser justificado como um elemento cultural característico de uma sociedade globalizada e, que, na maioria das vezes traz sérios problemas no seu controle. Nesse contexto, cabe analisar a importância do planejamento financeiro, bem como a influência da mídia na desconstrução de um pensamento crítico.

Em primeiro lugar, um dos fatores de destaque relacionado ao consumismo é a compra compulsiva. A comprovação disso está no aumento do poder de compra do consumidor brasileiro, sem um aumento proporcional do salário. Segundo o especialista Maurício Molon, economista-chefe do Banco Santander, o consumo vai aumentar 5% em 2018. Entretanto, mesmo havendo um indicativo de melhoria na economia do Brasil, o problema da compulsividade é o endividamento da população. Como consequência, surgem inúmeros cidadãos que não conseguem pagar suas dívidas nos prazos corretos, gerando uma reação em cadeia de difícil controle como, por exemplo, tendo seus nomes lançados ao serviço de proteção ao crédito (SPC).

Além disso, somado à falta de planejamento está a influência da mídia como fonte impulsionadora de consumo, levando as pessoas a um processo de alienação. Esse fator é associado principalmente ao público infantil. As propagandas atuais estão vinculando valores “fantasiosos” aos produtos como, por exemplo, associando a compra de determinadas mercadorias com a busca da felicidade. Nessa perspectiva, Karl Marx passou a chamar essa prática de fetiche de mercadoria a qual, com a ajuda do marketing, é a responsável por criar jovens alienados e sem senso crítico para iniciar a vida adulta. Ademais, a falta de discussão do tema nas instituições de ensino também contribui para que adolescentes não tenham conhecimento das estratégias da indústria cultural e, dessa forma, acabam alimentando o consumo excessivo.

Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para solucionar essa problemática. A primeira delas deve partir do próprio consumidor e a iniciativa de realizar um bom planejamento financeiro, colocando todas as dívidas em uma planilha de controle para evitar gastos desnecessários. Já a segunda, é papel da Escola fazer palestras extracurriculares a fim de trazer a discussão do tema, transformando o perfil do consumidor do futuro. Com tais medidas, a população brasileira passa a administrar seus rendimentos e o consumo, alavancado pela Revolução Industrial, torna-se inteligente.