Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 09/04/2018
No século XV, durante a passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a partir da decadência do feudalismo e do advento de uma nova classe social, a burguesia, o capitalismo foi instituído. É um sistema econômico, político e social que vigora até os dias atuais e é ele quem rege todas as relações ocorridas no âmbito social, sobretudo os hábitos de consumo. No Brasil, principalmente durante os séculos XX e XXI, o capitalismo manifestou-se principalmente na forma de concessão de créditos e apesar da desigual distribuição de rendas, nota-se a ascensão de classes emergentes as quais aos poucos conquistam maior poder aquisitivo, o que favorece a equidade social, mas tem como consequência o aumento dos níveis de consumismo inconsciente e dos prejuízos ambientais.
O consumo é tido, principalmente, como forma de lazer e até mesmo como uma maneira de reduzir o estresse, a ansiedade, entre outros. De acordo com a psicanálise de Freud, cita-se a questão da influência do inconsciente no consumo, isto é, o homem não conhece seus verdadeiros desejos, o que o leva a adquirir, muitas vezes, coisas prescindíveis ao seu cotidiano. O consumo consciente é fundamentalmente o oposto, ou seja, o propósito é diminuir as compulsões, o consumo descontrolado e exagerado, colocando em questão o bem estar tanto da sociedade atual, quanto das gerações futuras, além de ser uma contribuição para a melhoria da qualidade de vida de todos.
Conforme o conceito de “fetichismo da mercadoria” na obra de Marx, os produtos são como sujeitos sociais, dotados de vida própria e a mídia com seu marketing e suas propagandas é a principal motivadora dessa materialização. De acordo com Adorno e Horkheimer, ela exerce função apelativa, a fim de convencer a população a consumir demasiadamente. Juntamente à mídia, encontram-se as facilidades encontradas pelos consumidores, como os financiamentos, a divisão em parcelas e, principalmente, as promoções. Esses e demais fatores impulsionam o consumo desordenado tão presente no Brasil, comprovado pela pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito que afirma que apenas três em cada dez dos entrevistados podem ser considerados consumidores conscientes.
Por conseguinte, para contornar ou atenuar o impasse em questão, faz-se necessária a parceria entre o Estado e a sociedade. O Ministério da Educação deve intervir promovendo palestras nas escolas e propagandas midiáticas, a fim de evitar a entrada da população no mundo consumista sem um senso crítico pré-formado. Outrora, a “política dos 3R’s”, reduzir, reutilizar e reciclar, deve ser incentivada pelo governo e pelos comerciantes, seja pela diminuição de impostos aos indivíduos que colaborarem ou pelo acréscimo de descontos, a fim de amenizar os prejuízos ambientais. Só assim, o Brasil tornar-se-á mais equilibrado no que tange à relação entre o homem, consumo e meio ambiente.