Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2018

Segundo Émile Durkheim, o corpo social coage o indivíduo para que siga padrões previamente estabelecidos e considerados indicadores de exclusão ou inclusão do cidadão na sociedade.Nesse contexto,analisando os hábitos de consumo dos brasileiros,evidencia-se uma intensificação de um consumismo doentio e inconsciente tendo como causa primeira a imposição de padrões de consumo socialmente disseminados por agentes persuasivos inescrupulosos,fazendo surgir o sentimento de necessidade de compra para se manter integrado.Tal pensamento fruto de uma escola que negligência o estudo de tal campo social e de uma mídia que prega o que lhe for conveniente e lucrativo.

Em primeiro plano, observa-se que a inexistência de métodos de ensino voltado ao estudo da forma consciente de consumo configura um quadro de permanente alienação.Segundo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”, dessa maneira, a formação de seres pensantes e críticos é essencial para desvinculação desses do consumismo compulsório,este protagonizado através de uma sociedade de bases materialistas, onde o “ter” se sobressai ao “ser”.Desse modo, têm-se a suposta necessidade de se ter sempre mais que o outro e de se estar “antenado com as novidades do mercado, para ,assim, se sentir superior e usufruir de uma felicidade momentânea.Contudo,os que mais se beneficiam diante desse comportamento infeliz são os donos de empresas,que através da obsolescência programada intensificam o consumo e mantêm o ciclo do mercado.

Ademais, a influência ao consumo provocada pelos meios midiáticos é fator condicionante de avanço desse sistema,principalmente através da persuasão do público infantil.Desse modo,roupas com personagens infantis, brinquedos altamente inovadores, alimentos com embalagens de personagens de histórias em quadrinhos,tudo isso direciona o olhar apreensivo e atencioso do público infantil,que desde cedo começa a “entender” que o que te faz ser parte e integrado  à um grupo são os seus objetos de consumo.Assim, de forma inescrupulosa, os grandes empresários enxergam nesse público a possibilidade do enraizamento do estímulo consumista que, com veemência, se perpetuará ao longo da vida adulta,solidificando,dessa forma, um sistema que aliena.

Medidas são necessárias,portanto para resolver o impasse.O Ministério da Educação deve implantar uma nova grade curricular que conste a disciplina voltada à educação financeira, em todos os níveis educacionais, adequando-a a cada faixa etária, a fim de formar seres críticos e sensibilizados previamente contra uma sociedade que induz ao consumismo. Além disse, o Ministério da Justiça precisa protagonizar projetos e reuniões com representantes de meios midiáticos relevantes na sociedade,para se estabelecer mecanismos que classifique  propagandas voltadas ao público infantil.