Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 09/04/2018
Os hábitos de consumo no Brasil têm raízes históricas e só aumentam, atingindo não somente adultos, mas também crianças e adolescentes. Desde a década de 1956, com o governo de JK, o país deu um salto nas importações de “bens duráveis” (carros e eletrodomésticos), elevando o consumismo e a vontade dos brasileiros atingirem o tão famoso “American Way of Life”. Acrescido a isso, a mídia tem o papel de influenciar os indivíduos a comprarem cada vez mais e, infelizmente, a própria sociedade tornou relevante tal prática, sendo um critério para a inclusão no meio social.
Nessa perspectiva, comprar tornou-se uma diversão, uma forma de tirar o estresse e dar poder àqueles que estão movimentando seu cartão de crédito e renovando o guarda roupa. O sociólogo Karl Marx denominou de “fetichismo da mercadoria” a supervalorização que os indivíduos davam para os objetos, que passaram a ter um valor simbólico, quase que divino. Do mesmo modo, a sociedade hodierna idealiza um sapato, uma bolsa ou um celular como um “sonho de consumo”, sendo de extrema importância a obtenção desses para garantir o status do indivíduo, evidenciando que o poder aquisitivo é o que mais importa. Como consequência de tal postura, os brasileiros se endividam ao gastar mais do que ganham. Segundo dados do Banco Central, cerca de 46,3% da renda das famílias está comprometida com dívidas, principalmente em crédito habitacional, alimentação e transporte.
Decerto, o problema em se consumir em excesso e sem necessidade é, em grande parte, agravado pela influência midiática. As empresas usam do marketing nas propagandas para atrair mais consumidores e, infelizmente, não dispensam o público infantil. As crianças desejam desde cedo o brinquedo do super-herói que passa todos os dias durante o intervalo do desenho na TV, gerando o sentimento de querer um objeto a qualquer custo. No futuro, aquelas serão adultos que não se controlam ao ver uma loja na promoção, comprando por impulso produtos supérfluos e até adquirindo transtornos compulsivos. Outrossim, o consumismo é alto nas classes menos abastadas e está em ascensão nos estados do Norte e Nordeste, segundo um levantamento feito pelo SPC, revelando que os que menos ganham são os que mais compram em várias parcelas no cartão de crédito.
Destarte, é preciso que o Estado atue em parceria com as escolas para mitigar esse problema. Cabe ao Ministério da Educação promover palestras nos bairros e nos colégios, além de propagandas na mídia televisiva, com o intuito de ensinar o povo sobre como gerenciar suas finanças. É importante que as escolas estimulem as crianças a terem hábitos de consumo consciente, através da educação financeira, mostrando como fazer cálculos em situações do cotidiano e como poupar sua mesada, por exemplo. Só assim, ter-se-á menos adultos endividados e incontroláveis diante do objeto dos sonhos.