Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 08/04/2018
O consumo, no Brasil, tornou-se um hábito cada vez mais usual na sociedade, embora muitas pessoas fiquem endividadas. Assim, a compra em demasia trouxe uma falsa felicidade para as pessoas, a qual muitas desenvolvem a oniomania, um transtorno causado pela necessidade de compra, e adquirem diversas dívidas em bancos, por meio de empréstimos, para gastarem cada vez mais. À vista disso, infere-se que tal problemática é inerente à facilidade de obtenção de crédito e à falta de educação de consumo.
Destarte, conforme o livro “Capitalismo Parasitário”, do sociólogo Zygmunt Bauman, o sistema bancário cria um ciclo vicioso, o qual a pessoa obtém crédito para compras e depois adquire mais crédito para pagar suas dívidas. Dessa forma, os indivíduos acabam por sentir uma falsa prosperidade econômica influenciada por um sistema, o qual induz a pessoa a contrair despesas que não pode pagar e tornam-se dependentes da estrutura bancária. Nesse âmbito, as facilidades de obtenção de crédito promovem cada vez mais pessoas a entrarem nesse ciclo vicioso de défices, as quais muitas vezes ignoram as pessoas ao seu redor, pelo fato de criarem uma obsessão pelo consumo.
Dessa maneira, durante o governo Vargas, no século XX, o sistema industrial cresceu de forma exponencial, no Brasil, o qual fornecia cada vez mais produtos para consumo da população. Com isso, a grande oferta de produtos e as estratégias midiáticas de propaganda, como comerciais e produtos em novelas, influencia o cidadão ao consumismo. Desse modo, o despreparo das pessoas e a ilusão vendida pela indústria de consumo leva os indivíduos a buscarem cada mais o consumo compulsivo, para satisfazer a necessidade de obter o produto veiculado nas propagandas. Isso, é refletido em pesquisas, as quais expõe que apenas 3 em cada 10 brasileiros são consumidores conscientes, segundo o Serviço de Proteção ao Crédito.
Por conseguinte, faz-se necessário intervenções para dirimir à facilidade na obtenção de crédito e à falta de educação de consumo. Com isso, cabe as Instituições Financeiras, por meio de regulamentações a criação de um processo seletivo mais ríspido para a obtenção de empréstimos, o qual verifique o histórico de dívidas do indivíduo e sua frequência de consumo, a fim de que possa haver uma seleção mais clara de pessoas que possam adquirir crédito. Ademais, assiste ao Ministério da Educação, através de palestras a criação de um projeto educacional, o qual tenha como objetivo a explicação e orientação ao consumo consciente, a qual deve-se comprar aquilo que a pessoa pode, não tudo que é apresentado nas propagandas, para que haja uma geração futura mais cônscia sobre o consumo, a qual não precise criar dívidas para alcançar determinados objetivos.