Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 08/04/2018
A sociedade brasileira passou por uma intensa transformação econômica no início do século 21. Milhões de empregos foram gerados, a inflação foi controlada e o poder de consumo nacional elevou-se cerca de 10%. Contudo, fomentar o consumo, sem simultaneamente preocupar-se em educar os consumidores, tende a resultar em um enorme contingente de indivíduos habituados com gastos imprudentes.
O modelo capitalista industrial baseado na obsolescência programada evidencia tal negligência por parte do setor privado e pelo setor público - visto que é função deste regulamentar as atuações do primeiro com a finalidade de defender os cidadãos. Segundo a filósofa e autora do livro “O prazer das compras - o consumismo no mundo contemporâneo”, Maria Helena Pires Martins, a redução artificial da durabilidade do produto para torná-lo substituível por modelos novos alimenta na população o ciclo de desejos supérfluos.
Aliado a esse fator está a atuação das mídias - tanto as mais antigas, jornais e televisão, quanto as mais novas, difundidas pela internet. Tais veículos utilizam, além das propagandas explícitas, meios mais sutis de influência, como o uso constante de certos itens por personagens ou artistas famosos. Fato esse determinante para os hábitos de consumo de muitos indivíduos menos críticos sobre essa interferência indireta dos produtores. Aproximadamente 80% das crianças que conseguem induzir seus pais na hora das compras estão sob influência dessa mídia, conforme dados colhidos pelo Instituto Alana.
Minimizar o poder de indução dos setores produtivos é, portanto fundamental. Para tanto, o Conselho Nacional da Criança e do Adolescente deve aumentar o poder de abrangência da Resolução sobre publicidade e comunicação mercadológica, dirigindo-a também às propagandas em desenhos, séries, filmes e novelas brasileiras. Já ao Ministério da Educação cabe recomendar o acréscimo da educação financeira na grade escolar e aos Legisladores normatizar a obsolescência programada.