Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2018

A revolução industrial foi marcada pela excedente produção. Desde então, a lógica capitalista é aumentar o poder de consumo da população, ditando a forma de gastar dos indivíduos. É incontrovertível o fato de que, seja pela influência midiática, seja pela relevância no status social, o estímulo ao consumo, sem conscientizar os consumidores, ganha dimensões preocupantes na sociedade brasileira, tendo em vista suas graves consequências ambientais e sociais.

É importante pontuar, de início, que o advento da globalização é responsável no que tange à mudança e inserção de novos hábitos. Quando o sociólogo Zygmunt Bauman pronunciou a frase: “consumo, logo existo”, demonstrou que na sociedade pós-moderna, uma condição indispensável a vida é o consumo. Dessa forma, o poder aquisitivo de um indivíduo é o que corresponde ao seu valor social. Por consequência, estamos vivenciando os efeitos que o cumprimento desse pensamento tem trazido: um aumento nos gastos com produtos supérfluos, sem levar em consideração a poluição ambiental.

Outrossim, o consumo consciente poderia evitar problemas não só na área ambiental, mas também, na da saúde. Diabetes, obesidade, infarto e isolamento social são exemplos clássicos de doenças que provém  de hábitos alimentares do mundo globalizado. A mídia é uma grande ferramenta utilizada para manipular e estimular a população a comprar cada vez mais, isso se comprova através dos altos índices de consumo, dentre eles, o de alimentos industrializados, que possuem uma relação direta com as doenças supracitadas. Consequentemente, perpetuam-se os hábitos consumistas.

Destarte, torna-se evidente os problemas que um consumo desregulado pode trazer. É válido ressaltar que toda mercadoria advém de uma matéria-prima extraída do meio ambiente. Essa, por sua vez, dará origem a uma quantidade de lixo que retornará como um produto nocivo ao planeta. A essa conjuntura, é fundamental que as responsabilidades sejam compartilhadas entre o Poder Público, escola e a mídia.

O Ministério de Meio Ambiente juntamente com o da Educação, devem orientar projetos que promovam uma conscientização de consumo em ambientes públicos e educacionais, por meio de cartilhas e palestras, tendo em vista que é evidente a relação de proporcionalidade entre o consumismo e a degradação ambiental, esperando-se assim que a população adote medidas de reciclagem, reutilização e redução. Dessa forma, evitariam  também, a entrada da sociedade no mundo consumista sem um senso consciente pré-formado. É claro que outras medidas podem e devem ser tomadas, mas, como disse Oscar Wilde: “o primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação.”