Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 09/04/2018

Na década de 1990, aproximadamente, a economia do Brasil cresceu e se transformou. Marcado por mudanças estruturais importantes, o país iniciou a transição de uma economia agroexportadora, com uma alta dependência de produtos primários em sua pauta de exportações, para uma economia industrializada, em um pequeno espaço de tempo, despertando novas condições sociais que favoreceram a consolidação dos hábitos de consumo entre os cidadãos.  A partir de então, criou-se um novo perfil para a sociedade brasileira, que passou a desenvolver uma série de costumes consumistas, ultrapassando o acesso pessoal ao crédito e, consequentemente, desenvolvendo efeitos catastróficos nos âmbitos psicossocial, ecológico e econômico.

Primeiramente, uma das principais circunstâncias que desencadeou as práticas de consumo no Brasil foi a estabilidade da moeda e a inserção competitiva do mercado na economia mundial, acarretando um crescimento significativo das classes médias e do salário mínimo. Com isso, formou-se a oportunidade de acesso ao crédito em larga escala e, como resultado, o poder de compra dos cidadãos para atender suas necessidades pôde ser concretizado, além do consumismo - potencialização de compra em massa de itens supérfluos que não atende a utilidade pessoal.

Outro aspecto que marca o consumo no país é a influência promovida desenfreadamente pelo marketing, promovendo uma uniformização de padrões de aquisição baseada em setores de alimentação, moda,  cultura e tecnologia, transformando praticamente tudo em produto. Dessa maneira, como o filósofo francês Montesquieu retrata a mercadologia do século XVII com sua célebre fala “É da natureza do comércio tornar úteis coisas supérfluas e necessárias as coisas úteis”, assim ocorre até os dias atuais: pessoas realizam seus desejos ao comprar itens que não precisam a fim de promover satisfação individual e lazer, promovendo diversos impactos como a produção excessiva de lixo - com o descarte de produtos em ótimo estado, o aumento de despesas que ultrapassam o rendimento salarial mensal, transformando a satisfação limitada em consequências sem prazo de término.

Logo, ao saber que aproximadamente 70% da população brasileira possui hábitos não saudáveis em relação ao consumo no país, conforme dados do Indicador de Consumo Consciente, medidas devem ser tomadas para amenizar o impasse. Dentre elas: a promoção de reuniões e palestras periódicas em centro comunitários e teatros municipais, pela prefeitura, com o acompanhamento de economistas e psicólogos para que possam orientar a população local sobre o uso desenfreado do poder de compra, com o objetivo de promover conscientização e incentivar a procura de especialistas na área econômica para os que possuem uma relação doentia com o ato consumista.