Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2018

Em sua obra imortal ‘‘Dom Quixote’’,o escritor espanhol Miguel de Cervantes,compõe um dos mais belos personagens da Literatura Ocidental,o bravo Quixote que se mostra um tenaz lutador em favor de seus ideais.O cavaleiro da Triste Figura nos revela o aspecto mais nobre da alma humana que é a luta por dignidade.Diante da universalidade do pensamento de Quixote,é possível estabelecer um paralelo com o hábito de consumir que ultrapassa a necessidade e se torna um vício,o qual fomenta o mercado capitalista e seu sistema de obsolescência programada.O ideal de adquirir por falta é perdido e substituído por uma compulsão,e por um modelo econômico cada vez mais inovador.

Ao longo da história firmaram-se discursos de poder,que se enraizaram na cultura ocidental,auxiliando na construção de verdades como a felicidade através do consumo.Essas verdades disseminadas socialmente por discursos,foram responsáveis por concretizar relações hierárquicas que naturalizam processos de desigualdades social.Analisando esse cenário a filósofa alemã Hannah Arendt mostrou como esses discursos resultam na banalização do ódio contra um grupo,fato agravado,na contemporaneidade,pelos vícios neoliberais que é o controle sobre aquele que não se enquadram na demanda de produtividade e comercialização do sistema vigente.É o que se observa nos hábito consumistas selvagens da população brasileira,em que determinados indivíduos não se enquadram pela falta de condições e também devido a dimensão banal e exagerada de tal prática.

Como resultado desse processo,é possível observar que a ação do consumo desnecessário sustenta a desigualdade social,aumentando a disparidade entre o pobre e o rico,e provoca a ambição do mercado e também sua cegueira para descrepância social.O indivíduo não se enquadra na aquisição do mercado e é esquecido muitas vezes por esse sistema capitalista,porém o artigo 6°da Constituição garante todos os direitos sociais,configurando,mais amplamente,a ética e a uma vida digna.

Feita essa análise,fica evidente que são necessárias ações promotoras de transformações coletivas.Para tanto,o Estado como gestor administrativo deve coibir ações irresponsáveis,por meio e políticas públicas que possibilitem uma fiscalização mais eficaz das leis,de modo a garantir o compromisso diante da desigualdade social que é sustentada pelo hábito de consumir.Ademais é imprescindível que a educação,como instrumento de metamorfose social,atue na desconstrução de discursos como a felicidade através do consumo.Esse trabalho pode ser realizado pelas escolas através de debates com os indivíduos desde sua infância sobre o vício que a obtenção pode gerar.Somente assim a reflexão proposta por Quixote referente a luta por dignidade e respeito poderá guiar os passos humanos na direção de um mundo mais igualitário e menos consumista.