Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 08/04/2018

Para o sociólogo moderno Zygmunt Baumann, é impossível escapar do consumo dentro de uma sociedade, contudo, o problema envolve como controlar o desejo insaciável de consumir. Desse modo, essa questão torna-se uma problemática relevante na sociedade brasileira, sobretudo diante da consolidação do capitalismo e industrialização nacional, bem como a emergência de instrumentos de legitimação dessas práticas, como a mídia e a publicidade das indústrias. Logo, é preciso refletir sobre tal panorama nacional, bem como as consequências sociais e econômicas para a sociedade brasileira. Nessa perspectiva, desde o período pré-colonial brasileiro, a nação é marcada pelos reflexos da ideia de consumo, como pode-se destacar o escambo entre indígenas e portugueses. Assim, após alguns séculos, a Revolução Industrial gerou profundos impactos na organização econômica do país, de modo que esse destacou-se como agroexportador e a elite brasileira tornou-se consumidora ávida dos produtos ingleses. Nesse viés, é possível compreender a relação histórica entre o comportamento atemporal consumista das sociedades, o que é acentuado a partir de ideologias econômicas, como o capitalismo, bem como estereótipos sociais, já que grande parcela dos indivíduos associam a capacidade de possuir bens materiais e ascender-se socialmente.

Além disso, é evidente que o Brasil é um país de contrastes, sobretudo quanto à desigualdade socioeconômica entre a população, o que impacta diretamente no modo de consumo e nas consequências dessa prática para a economia familiar. Conforme o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), apenas acerca de 32% dos brasileiros podem ser considerados consumidores conscientes. Em contrapartida, a mesma pesquisa afirma que cerca de 3 em cada 10 indivíduos escolheram o consumo como o tipo de lazer favorito, já que seria uma maneira de minimizar o estresse diário. À vista disso, é possível compreender a ausência de uma educação financeira, bem como consciência acerca da necessidade de consumo inteligente, seja em razão de poupar dívidas desnecessárias ou até mesmo para contribuir com a sustentabilidade, já que muitas vezes o consumismo exacerbado resulta no desmatamento florestal, poluição de cursos hídricos e até mesmo extinção de fauna e flora silvestres.