Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 08/04/2018
O advento da sociedade capistalista consolidada, pós Revolução Industrial, acarretou em um modelo de produção de estocagem em massa e de um proletariado que trabalhava para comprar o que ele mesmo produzia. Essa nova conjuntura econômica deu margem para que os indivíduos deixassem de requerer, a partir de seu ofício, não apenas sua própria subsistência, mas começassem a ampliar ao consumo de bens duráveis e não duráveis. Hoje em dia, a prática da compra sem necessidade direta é tão evidente que cerca de 40% da população ativa brasileira, acima de 18 anos, estão em situação de inadimplência, sendo a Região Sudeste campeã no quesito.
Usualmente, fala-se dos meios de comunicação como grandes vetores nesse processo de divulgação do mercado consumidor. Contudo, em 2018 colocou-se em análise o papel de redes sociais, e da própria internet em geral, no escândalo de acesso aos dados pessoais de seus usuários, dos quais eram vendidos para os mais diversos fins. Nesse âmbito, coloca-se em evidencia que as grandes empresas multinacionais se utilizam de mecanismos de persuasão e propaganda mais direcionada e filtrada para cada indivíduo, de acordo com suas buscas virtuais, aumentado o poder de convencimento do potencial comprador.
Outro fator que contribui em peso é obsolescência programada dos produtos e a constante renovação destes, com o obetivo de legitimar e ratificar a lógica capitalista de produção nos padrões de consumo. Os produtos tecnológicos são os que mais participam desse constante universo de lançamentos e melhorias, muitas vezes não tão funcionais. Tudo, na verdade, compõem o caráter socialmente construído do status das personagens compradoras de que o mais novo é mais atrativo, sobretudo, nos ambientes de vivência, e o ultrapassado é um retrocesso utilitário nessa comunidade globalizada e sem fronteiras virtuais.
Percebe-se, portanto, que a dinâmica do mercado econômico molda-se a cada momento para melhor atuar no consciente consumista do brasileiro, mesmo que extrapole suas despesas. Logo, as secretarias de planejamento municipais e estaduais, aliados ao poder Legislativo, devem criar e executar leis de educação orçamentária na rede básica de ensino, nas instiuições públicas e privadas e empresas, com palestras e oficinas obrigatórias semestralmente, com assuntos previamente consultados e aplicados pelos especialistas de direito da área, no intuito de diminuir o pensamento coletivo brasileiro acerca de práticas não condizentes com a saúde financeira da população. De fato, na tentativa de que as gerações futuras, principalmente, possam ter um melhor direcionamento mediante seus hábitos de consumo, baixando, assim, os índices de endividados no mercado fazendário.