Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 09/04/2018
Segundo a crônica “Nada é Suficiente” da Martha Medeiros, muitas pessoas mantém um sentimento de angústia por algo que nem mesmo sabem o que é, apenas sabem que só irão se satisfazerem ao adquirí-lo. Essa análise social é comprovada ao observar os hábitos de consumo no Brasil. Em decorrência, é preciso que haja uma problematização para achar os motivos causadores dessa angústia. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: o poder da mídia e a facilidade na compra.
Parafraseando o sociólogo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e pensar, com isso, a partir dessa visão, é possível afirmar que o pensamento da sociedade antecede o individual. Os hábitos de aquisição de mercadoria dos brasileiros são comportamentos descontrolados com tendência a alcançar algo que fora imposto a eles pelo consciente coletivo e, principalmente, pela mídia. De acordo com o sociólogo francês Jean Baudrillard, agora nossa realidade é ditada por uma grande quantidade de informações que se faz presente de várias formas, ente elas, no poder de coerção sobre a coletividade. Comprova-se isso pelo excesso de propagandas direcionadas ao publico infantil que resulta no aumento da comprar sobre determinados alimentos, modificando, sequencialmente, nos costumes.
No século XXI, é possível observar uma facilitação na hora de ir à cinemas, teatros, mobilização pelas cidades, nas compras e até mesmo na hora da refeição. Esse fato é resultado da grande quantidade de estabelecimentos que aceitam cartões de créditos, objetos esses que trazem uma sensação de um maior poder aquisitivo na hora da troca. Entretanto, esse modelo prático torna a ação de obter determinada mercadoria algo necessário para satisfação pessoal dos indivíduos, transformando o ser humano impotente diante de si mesmo até que o ato se repita. Em termos atuais, o sociólogo italiano Domenico de Masi afirma que quanto mais o mundo dota um modelo americano feito de competitividade, de estresse e de consumismo, mais deprime. Desse modo, medidas fazem-se necessárias para corrigir a problemática.
Diante dos argumentos supracitados, fica evidente que o poder da propaganda e a facilidade de compra interferem nos hábitos individuais de cada um. Nesse sentindo, é necessário que a sociedade possua atitudes inteligentes, como, por exemplo, a realização pesquisas pelo menor preço, questionar se há necessidade de obter o produto etc, para desviar a dinâmica consumista da mídia. Some-se a isso investimentos em educação no intuito de desenvolver raciocínio crítico nas crianças e adolescentes para ter mais consciência na hora da compra. Só assim vai ser possível diminuir as angustias relatadas pela autora Martha Medeiros e atribuir um sentido diferente ao título da crônica: o nada basta.