Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 09/04/2018

No filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom (2009), a roteirista Tracey Jackson exemplificou o típico homem moderno, repleto de desejos e necessidades supérfluas. Na trama, a personagem Becky precisa ser internada em uma clínica de reabilitação após começar a comprar compulsivamente coisas que não precisa. Fora da ficção, o consumismo configura um problema social a partir do momento em que a população excede os gastos e ultrapassa seu poder de compra.

Em primeira análise, pode-se estudar as transformações incisivas pelas quais passou a sociedade após a Revolução Industrial. Embora tal processo tenha nascido na Inglaterra, influenciou o mundo de forma irreversível. Nesse contexto, iniciou-se a pós-modernidade que é marcada pela transição da sociedade de produção para o consumo. As populações que foram expostas a esse processo foram instigadas a comprar progressivamente mais produtos, que na conjectura hodierna se alia aos mecanismos midiáticos construindo uma modernidade líquida e alienada.

Segundo Zygmunt Bauman, a pós-modernidade é caracterizada pela liquidez, ou seja, relações rápidas, efêmeras e inconstantes com o meio. No cenário atual, todos os dias são lançados novos itens que podem estar inseridos em circunstâncias diversas, como a tecnologia. Primordialmente, a mídia funciona como um mecanismo propulsor, bombardeando sem cautela a massa populacional com padrões que devem ser seguidos para que haja aceitação no ambiente em que o indivíduo convive.

Outrossim, as crianças são mais vulneráveis nessa esfera, haja vista que até mesmo adultos são ludibriados. De acordo com pesquisa do Instituto Alana, 62% dos pais influenciam levemente ou não influenciam os desejos de consumo dos seus filhos. Desse modo, fatores midiáticos como as propagandas televisivas e o uso de personagens infantis famosos são usados como portal entre os pequenos e o mundo do consumo. Por conseguinte, crescerão sem o desenvolvimento de uma consciência acerca dos hábitos de consumo ou senso crítico para julgar compras necessárias.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, o MEC em parceria com o Conselho de Autorregulamentação Publicitária deverá criar políticas públicas que interfiram no conteúdo que é propagado nos meios midiáticos que circulam no Brasil, devendo exibir em horários de máxima audiência pequenos vídeos exemplificando em linguagem simples como funciona o poder de compra dos brasileiros e ilustrando como deve ser administrado o consumo. Como também, pessoas que tenham seus nomes cadastrado como pendentes no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito), deverão ser submetidos a medidas socioeducativas para que não voltem a gastar mais do que podem, tais medidas devem ser ampliadas para dentro das escolas, para que crianças desenvolvam o senso crítico.