Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19
Enviada em 05/11/2025
O geógrafo Milton Santos descreve a “Cidadania mutilada” para expor os direitos constitucionais que são acessados de forma desigual pela população. Dessa forma, ocorre a mutilação da integridade civil de uma parcela da população quando vaci-nas contra Covid-19 não são universalizadas. Com essa realidade, cabe ressaltar a ausência de medidas governamentais e falta de conhecimento da população.
Diante disso, é necessário investigar como a passividade governamental corrobo-rou para esse cenário. Nesse contexto, a autoridade estatal foi instituída contra-tualmente com função de intermediar e solucionar problemas sociais. Contudo, o Estado rompe com a sua função quando uma doença infecciosa que necessita de 3 doses de vacina para uma imunização eficiente, apresenta uma população de 93% dos indivíduos de 5 anos ou mais com apenas 1 dose, segundo dados do IBGE em 2023. Também, tal quadro envolve fatores como superficialidade nas campanhas de vacinação, negligência em função de um suposto ambiente controlado. Assim, uma parcela gigantesca da população fica vulnerável a uma epidemia.
Além disso, a alienação da população diante deste panorama de incerteza influencia eventuais crises sanitárias. Análogo a isso, o início dos anos 1900 foi marcado pela “Revolta da vacina”, paralelo a isso, a falta de conhecimento da população e a ausência de confiança nas instituições de saúde geram o caos. Nesse aspecto, a pandemia de Covid-19 tem seus efeitos potencializados quando informações falsas e discursos dogmáticos são disseminados. Com isso, a distribuição de vacinas tem a imunização de rebanho atenuada, pois o alcance imunológico é encurtado com falácias e desinformação.
Portanto, é necessário a formulação de medidas interventivas. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por medidas de saúde pública, por meio das Secretarias de Saúde municipais, formular campanhas de vacinação e imunização para mapear e imunizar os indivíduos pendentes, garantindo o acesso e universalização da vacina. Ainda mais, como o mesmo agente e intermédio da Mídias Sociais, exibir propagandas de alerta e informação potencializando a elucidação e a quebra de fake news, construindo uma população devidamente protegida e informada.