Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19
Enviada em 09/10/2022
No início do século XX, os governos federal, estadual e municipal do Rio de Janeiro, então capital brasileira, promoveram uma ampla campanha de saneamento na cidade, que envolvia, além de outras coisas, a erradicação do sarampo por meio da vacinação obrigatória. Foi um desastre: camadas populares, desconfiadas, se negaram à vacinação, o que gerou confrontos com o poder estatal no episódio que ficou conhecido como “A Revolta da Vacina”. A desigualdade pode se dar de inúmeras formas, como, por exemplo, a desigualdade de informação ou a desigualdade de acesso aos bens e serviços públicos.
Tanto n’A Revolta da Vacina quanto no recente caso da Covid-19, a desigualdade de informação foi elemento definidor no impacto negativo na distribuição de vacinas. As pessoas, influenciadas por crenças infundadas, se negavam a tomar a vacina, normalmente justificando essa escolha dizendo que não se poderia saber, com certeza, quais eram os efeitos daquela substância sobre o corpo humano. Esse medo fez com que uma porcentagem da população se negasse à vacinação, às vezes de modo violento, o que contribuiu para uma imunização desigual e incompleta.
Ademais, há ainda a desigualdade de acessos aos serviços e bens do Estado. Populações indígenas, por exemplo, por estarem em lugares afastados dos centros urbanos, não recebem a devida assistência do Estado, seja por negligência ou por incapacidade, e, desse modo, permanecem fora do quadro de imunização, ficando expostas a doenças ou à doença, como é o caso da recente Covid-19.
Portanto, é fundamental que se promovam campanhas de conscientização por meio do Ministério da Saúde, que serão vinculadas nos meios de comunicação, como a televisão, e que objetivem erradicar pensamentos pseudocientíficos entre a população. No caso dos lugares afastados, pode-se resolver isso com verbas destinadas à construção de infraestruturas que facilitem o acesso a esses locais, e que é prerrogativa do governo federal por meio do Ministério da Infraestrutura e dos Transportes, dessa forma garantindo uma melhor distribuição dos serviços públicos.