Os impactos da desigualdade na distribuição das vacinas contra a Covid-19

Enviada em 21/09/2022

As sociedades ao longo da história já enfrentaram diversas pandemias, por exemplo, a peste-negra, no século XII, e a gripe espanhola, em 1920. Todavia, a pandemia de COVID-19 foi a primeira da história pós-moderna. Com ela foi possível observar a fragilidade da existência humana e os abismos sociais existentes. Este, observasse na desigualdade da distribuição de vacinas ao redor do globo. A falta de equidade na distribuição contribui para o aumento de abismos sociais e a permanência do contágio, devendo ser revertido tal cenário desigual.

De início, a falta de vacinas nos países mais pobres acelera o processo de desigualdade histórico. No livro “As Veias Aberta das América Latina”, de Eduardo Galeano, é retratado como passado colonial e imperialista dos países subdesenvolvidos reflete-se na lógica econômica atual. A falta de capital financeiro para a compra de vacinas é herança de anos de exploração. Com isso, países como o Sudão, por exemplo, permanecem com suas economias estagnadas pela circulação do vírus, impedindo um desenvolvimento social. Desse modo, a falta de programa vacinal adequado contribui para a expansão da desigualdade.

Além disso, essa massa populacional sem acesso à vacina impede a erradicação do vírus. Segundo Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), no continente africano 95% da população não estaria imunizada. Neste contexto, o risco de contágio e morte crescem exponencialmente, bem como as mutações do vírus. Neste ponto, novas variantes podem ocasionar novos surtos globais que impactariam não só a África, mas todo o mundo. Desse modo, a necessidade de distribuição justa de vacinas mostra-se um imperativo global.

Depreende-se, portanto, que os impactos pela má distribuição de vacinas afetam toda a humanidade e necessitam ser combatidas. É dever da OMS — órgão responsável pelas questões de saúde mundiais — providenciar medidas para reverter tal quadro. A OMS deve atuar através de um programa global com a seguinte determinação: todos os países que tiverem 50% da população com esquema vacinal completo deverão destinar 5% de seus estoques de vacinas aos abaixo de tal percentual. Assim, todos os povos poderão ser imunizados e o mundo globalizado poderá diminuir sequelas do passado de exploração.